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📰 Reportagem EspecialFato Verificado

Cercas e Passagens de Fauna Reduzem Atropelamentos de Jacarés e Animais Silvestres em 70% nas Rodovias de MS

⚡Resumo Rápido

Estudo científico monitora rodovias pantaneiras e comprova eficácia de barreiras físicas e túneis ecológicos na preservação da biodiversidade de Mato Grosso do Sul.

RB
Por Redação Bastidor Público
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 00:00
Corumbá, MS10 min de leitura• 1209 palavras
WFXT
Cercas e Passagens de Fauna Reduzem Atropelamentos de Jacarés e Animais Silvestres em 70% nas Rodovias de MS

Um abrangente estudo científico multidisciplinar conduzido por pesquisadores de universidades estaduais em parceria com equipes técnicas do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) comprovou que a instalação de cercas-guia e passagens de fauna reduziu em mais de setenta por cento o número de atropelamentos de jacarés-do-pantanal (Caiman yacare) em rodovias estaduais que cortam o bioma pantaneiro. O monitoramento contínuo, que abrange centenas de quilômetros de estradas ecológicas, atesta a eficácia da engenharia rodoviária sustentável na mitigação do impacto do tráfego de veículos sobre a biodiversidade silvestre de Mato Grosso do Sul.

Os dados consolidados revelam, contudo, que a efetividade das barreiras varia conforme o comportamento biológico de cada espécie, indicando a necessidade de aperfeiçoar os modelos de cercamento para animais de grande porte como tamanduás-bandeira, antas e capivaras.

O Que Aconteceu

O levantamento de campo acompanhou trechos pavimentados e estradas de terra que atravessam áreas alagáveis nos municípios de Corumbá, Miranda, Aquidauana e Porto Murtinho. Durante o período de estiagem e na transição das cheias pantaneiras, os jacarés realizam grandes deslocamentos entre lagoas marginais (baías) em busca de água profunda e alimento, atravessando frequentemente as pistas de rolamento durante a noite e a madrugada.

A instalação de telas metálicas enterradas na base e conectadas diretamente a bueiros e passagens subterrâneas adaptadas impediu que os répteis subissem no asfalto, canalizando o fluxo migratório com segurança por baixo da rodovia.

Espécie Monitorada Redução de Atropelamento Comportamento Observado Medida Técnica Aplicada
Jacaré-do-Pantanal (Caiman yacare) Redução de 70% a 75% Uso frequente de bueiros úmidos Cercas-guia em áreas alagáveis
Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) Redução moderada de 45% Tentativa de salto sobre cercas Elevação de telas e portões
Tamanduá-Bandeira (Myrmecophaga tridactyla) Redução de 55% Deslocamento lento noturno Passagens secas com vegetação
Anta Brasileira (Tapirus terrestris) Redução de 40% Força física que rompe telas Reforço estrutural e sinalização

Contexto e Histórico

A expansão e a pavimentação da malha rodoviária em Mato Grosso do Sul, essenciais para o escoamento da safra agrícola e para o desenvolvimento da Rota Bioceânica, historicamente geraram preocupações ambientais severas em relação ao efeito de barreira ecológica e à mortandade de animais silvestres por atropelamento.

Em resposta a esse desafio, o Governo do Estado instituiu o Programa Estrada Viva, que tornou obrigatória a realização de estudos prévios de ecologia de estradas em todas as obras de asfaltamento e restauração de rodovias públicas executadas pela Agesul e Seilog.

A experiência pantaneira com passagens de fauna tornou-se modelo de referência internacional para outros países da América do Sul que buscam conciliar infraestrutura de transporte com conservação de grandes biomas.

O monitoramento contínuo realizado com o auxílio de armadilhas fotográficas com sensores infravermelhos comprovou que a adaptação das passagens inferiores de água com passarelas secas laterais ampliou o trânsito seguro de mamíferos terrestres de médio porte, como jaguatiricas, lontras e tatus. A engenharia ecológica demonstra que pequenas adaptações estruturais em pontes e bueiros pré-existentes possuem um custo de implantação reduzido e um retorno ambiental incalculável para a conservação da biodiversidade pantaneira.

Impacto Para a População

A redução dos atropelamentos de fauna nas rodovias de Mato Grosso do Sul protege a integridade dos ecossistemas pantaneiros e traz reflexos diretos na segurança viária de motoristas e turistas. Colisões com animais de grande porte como antas, capivaras e jacarés causam acidentes graves com capotamentos, perdas materiais vultosas e riscos fatais para os ocupantes dos veículos.

Para o setor de ecoturismo de Bonito, Jardim e Corumbá, a preservação dos animais silvestres é o principal atrativo econômico que atrai viajantes do mundo inteiro, gerando renda e emprego para hotéis, pousadas pantaneiras e guias locais.

A integração da ciência com as obras públicas demonstra aos cidadãos que os tributos estaduais são aplicados com responsabilidade socioambiental, preservando o patrimônio ecológico de Mato Grosso do Sul para o futuro.

A integração das secretarias estaduais de infraestrutura com os centros de pesquisa da fauna silvestre coloca Mato Grosso do Sul na vanguarda das diretrizes ESG (Environmental, Social and Governance) aplicadas a concessões públicas e obras viárias. A metodologia desenvolvida no bioma Pantanal já está sendo estudada por outros estados brasileiros e países vizinhos que integram o corredor bioceânico como modelo para novas rodovias sustentáveis.

O Que Dizem os Envolvidos

"Os resultados científicos comprovam que é perfeitamente viável construir rodovias modernas sem destruir a nossa fauna. O investimento em passagens de fauna e cercamento inteligente salva milhares de animais todo ano e protege a vida das famílias que trafegam pelo Pantanal." — Coordenação do Instituto de Meio Ambiente de MS (Imasul)

"O monitoramento nos permite aprimorar continuamente os projetos executivos de engenharia. Para cada espécie e relevo, adaptamos a altura das cercas e o tipo de passagem subterrânea, garantindo que o desenvolvimento econômico respeite a natureza." — Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog)

"A Estrada Parque e a BR-262 são corredores vitais da nossa biodiversidade. Ver a ciência orientando a construção das estradas é uma vitória extraordinária para a conservação do Pantanal." — Pesquisadores e Biólogos de Ecologia de Estradas de MS

A preservação da biodiversidade pantaneira e a implementação de infraestrutura rodoviária sustentável consolidam Mato Grosso do Sul como uma referência internacional em governança ambiental e engenharia ecológica. O sucesso das passagens de fauna e o monitoramento científico contínuo garantem que o progresso socioeconômico ocorra em perfeita harmonia com a salvaguarda dos ecossistemas mais ricos do planeta.

Próximos Passos

A Seilog e o Imasul utilizarão os dados consolidados do estudo para publicar uma nova portaria técnica com as diretrizes atualizadas de engenharia ecológica que deverão ser adotadas nas próximas concessões rodoviárias e licitações de duplicação no estado.

As equipes de campo instalarão novas câmeras com sensores de movimento e inteligência artificial para monitorar a passagem noturna de felinos como a onça-pintada e a jaguatirica, refinando os protocolos de segurança em corredores ecológicos estratégicos.

Os investimentos permanentes na modernização das rodovias pantaneiras demonstram a maturidade da gestão pública de Mato Grosso do Sul na implementação de políticas públicas alinhadas aos objetivos globais de desenvolvimento sustentável. A proteção das espécies ameaçadas de extinção assegura a perpetuidade do patrimônio biológico do Pantanal para as próximas gerações.

A engenharia de mitigação de impactos ambientais nas estradas pantaneiras comprova que o planejamento técnico e o investimento em soluções ecológicas geram retornos diretos para a sustentabilidade e segurança viária de Mato Grosso do Sul. A preservação contínua dos corredores de biodiversidade assegura o equilíbrio ecológico dos ecossistemas aquáticos e terrestres em todo o bioma Pantanal.

A cooperação continuada entre a comunidade científica, o setor público e a sociedade civil em Mato Grosso do Sul fortalece as políticas públicas de conservação e comprova que a engenharia sustentável é um investimento indispensável para a proteção da fauna nativa e para a segurança de todos os usuários das rodovias do estado.

O protagonismo de Mato Grosso do Sul na implementação de diretrizes de ecologia viária consolida o estado como modelo nacional de sustentabilidade, unindo a preservação das espécies selvagens à segurança dos viajantes que percorrem as rodovias do Pantanal.

Fechamento

O sucesso das cercas ecológicas e passagens de fauna nas rodovias de Mato Grosso do Sul consolida o pioneirismo do estado na engenharia viária sustentável, demonstrando que a tecnologia, a ciência e a gestão pública responsável são capazes de harmonizar o progresso econômico com a preservação intangível das riquezas naturais do Pantanal.

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Publicado em 24 de agosto de 2026 às 00:00
Fonte: https://www.campograndenews.com.br/meio-ambiente/cercas-reduzem-atropelamentos-de-jacares-em-70-mas-efeito-varia-entre-especies
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Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

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