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PL 64/2026: ALEMS quer garantir prioridade escolar para filhos de vítimas de feminicídio

Projeto de Lia Nogueira e Mara Caseiro assegura matrícula e transferência imediata na rede pública para crianças que perderam a mãe por violência de gênero.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 21 de maio de 2026 às 00:00
Campo Grande7 min de leitura
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PL 64/2026: ALEMS quer garantir prioridade escolar para filhos de vítimas de feminicídio

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul analisa o Projeto de Lei nº 64/2026, que garante prioridade de matrícula e transferência escolar na rede pública estadual para filhos e dependentes de mulheres vítimas de feminicídio. A proposta é de autoria das deputadas Lia Nogueira (PSDB) e Mara Caseiro (PL) e busca assegurar que crianças e adolescentes que perderam a mãe para a violência de gênero mantenham sua rotina escolar sem barreiras burocráticas.

O projeto altera a Lei Estadual nº 4.525/2014, que já previa prioridade escolar para filhos de mulheres em situação de violência doméstica, mas não mencionava expressamente o feminicídio — uma lacuna que, segundo as autoras, gerava interpretações restritivas em algumas instituições de ensino.

O Que o Projeto Propõe

O PL 64/2026 estabelece que filhos e dependentes de vítimas de feminicídio terão direito a:

Direito garantido Descrição
Matrícula imediata Em qualquer escola da rede pública estadual, independentemente de vagas
Transferência prioritária Sem exigência de documentação completa no ato
Tramitação sigilosa Informações do pedido protegidas para segurança da família
Sem barreiras burocráticas Escola não pode condicionar matrícula a documentos complementares
Acolhimento pedagógico Acompanhamento psicossocial para o estudante

As deputadas defendem que a escola deve funcionar como um espaço de acolhimento e estabilidade em momentos de extrema vulnerabilidade. Mudanças repentinas de endereço — comuns após um feminicídio, quando a família busca proteção — não podem se tornar obstáculo ao direito à educação.

Contexto e Relevância

Mato Grosso do Sul registra uma das maiores taxas de feminicídio do Brasil. Em 2025, foram contabilizados 28 casos no estado, deixando dezenas de crianças e adolescentes órfãos. Cada caso gera uma cadeia de consequências que vai além do luto: mudança de cidade, troca de responsável legal, instabilidade financeira e, frequentemente, dificuldade de acesso à escola.

O governo estadual tem investido em políticas de proteção à mulher, incluindo o programa Protege MS, voltado à capacitação de profissionais da rede de atendimento, e a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs). O PL 64/2026 complementa essas iniciativas ao proteger os dependentes que sobrevivem à tragédia.

Impacto Para as Famílias

Para as famílias atingidas pelo feminicídio, o projeto significa:

Situação atual Com o PL 64/2026
Burocracia para transferência Matrícula imediata sem exigências
Exposição de dados da família Tramitação em sigilo
Risco de perda de vaga Vaga garantida por lei
Desamparo pedagógico Acompanhamento psicossocial obrigatório

Próximos Passos

O PL 64/2026 foi encaminhado às comissões de Educação e de Direitos da Mulher da ALEMS para análise. A expectativa é que o projeto seja votado em plenário ainda no primeiro semestre de 2026.

Fechamento

O PL 64/2026 é mais do que uma alteração legislativa técnica: é o reconhecimento de que os filhos de vítimas de feminicídio precisam de proteção especial do Estado. Garantir que uma criança que perdeu a mãe para a violência não perca também o direito à educação é o mínimo que o poder público pode oferecer em um estado que ainda convive com índices alarmantes de violência contra a mulher.


Fontes e Referências

  • ALEMS — PL 64/2026 (autoria: Lia Nogueira e Mara Caseiro)
  • Campo Grande News — Cobertura do projeto de lei
  • Hoje Mais — Detalhes da proposta legislativa

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Fonte: ALEMS, Campo Grande News, Hoje Mais
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