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Comissão da Câmara aprova classificar PCC e CV como terroristas; fronteira de MS no radar

Proposta inclui facções brasileiras e cartéis internacionais na lista de organizações terroristas, com bloqueio de bens e impacto direto na segurança de MS.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 11 de abril de 2026 às 00:00
Campo Grande8 min de leitura
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Comissão da Câmara aprova classificar PCC e CV como terroristas; fronteira de MS no radar

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou, na sexta-feira (10), proposta que classifica o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O texto altera as leis de Terrorismo e de Organizações Criminosas, amplia a lista de grupos e prevê o bloqueio imediato de bens e ativos financeiros ligados às facções.

Para Mato Grosso do Sul, que compartilha 1.498 quilômetros de fronteira com o Paraguai e é rota consolidada do tráfico internacional de drogas e armas, a medida tem implicações diretas.

O Que Aconteceu

O colegiado aprovou o substitutivo do relator, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), ao Projeto de Lei 4260/25, de autoria de Rodrigo Valadares (PL-SE). A versão original previa a classificação como terroristas apenas do Cartel de los Soles e do Tren de Aragua, ambos da Venezuela. O novo texto ampliou o alcance da proposta de forma significativa.

Além das duas organizações venezuelanas, o relatório incluiu grupos da América Latina e dos Estados Unidos:

Organização País de origem
PCC (Primeiro Comando da Capital) Brasil
CV (Comando Vermelho) Brasil
Cartel de los Soles Venezuela
Tren de Aragua Venezuela
Mara Salvatrucha (MS-13) EUA / El Salvador
Cartel de Sinaloa México
Jalisco Nueva Generación México
Cartel del Golfo México
La Nueva Familia Michoacana México
Clan del Golfo Colômbia
Los Choneros Equador
Barrio 18 El Salvador

Segundo o relator, PCC e CV ampliaram a atuação e hoje operam de forma semelhante a redes internacionais, com atividades ligadas ao tráfico de drogas, armas, exploração de mercados ilegais e uso sistemático da violência.

Contexto e Histórico

O PCC tem presença consolidada em Mato Grosso do Sul. A facção paulista controla rotas de tráfico que cruzam a fronteira com o Paraguai, especialmente nas regiões de Ponta Porã, Coronel Sapucaia e Mundo Novo. Operações recentes da Polícia Federal e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreenderam toneladas de maconha e cocaína em MS, com destino a São Paulo e ao mercado internacional.

A discussão sobre classificar facções como terroristas ganhou força após os Estados Unidos incluírem o PCC em sua lista de organizações terroristas, em março de 2025. A medida americana abriu a possibilidade de ações militares e de inteligência na fronteira brasileira — o que gerou debate sobre soberania e cooperação internacional.

Em MS, a bancada federal acompanha o tema com atenção. O estado é o principal corredor de entrada de drogas do Paraguai para o Brasil, e a presença do PCC na região é documentada por operações policiais, inquéritos do Ministério Público e relatórios de inteligência.

A proposta aprovada na Comissão de Relações Exteriores prevê o bloqueio imediato de bens e ativos financeiros ligados às organizações classificadas. A medida busca dificultar o financiamento das atividades criminosas e reduzir a capacidade de operação dos grupos.

Impacto Para a População

Para o morador da fronteira de MS, a classificação do PCC como organização terrorista pode significar mais operações federais na região, com reforço de efetivo da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e das Forças Armadas. Também pode facilitar a cooperação com o Paraguai e com os Estados Unidos no combate ao tráfico.

Impacto Detalhe
Mais operações federais Classificação terrorista justifica uso de recursos extraordinários
Bloqueio de bens Ativos financeiros do PCC e CV podem ser congelados
Cooperação internacional Facilita troca de inteligência com EUA, Paraguai e Colômbia
Penas mais severas Membros podem ser enquadrados na Lei Antiterrorismo
Risco de militarização Possibilidade de ações militares na fronteira

O risco, apontado por juristas e organizações de direitos humanos, é que a classificação terrorista seja usada para justificar ações desproporcionais contra populações vulneráveis da fronteira, incluindo comunidades indígenas e trabalhadores rurais que vivem em áreas de atuação das facções.

A PRF em MS já opera com déficit de efetivo. A mobilização recente na BR-262, entre Campo Grande e Corumbá, expôs a fragilidade da fiscalização rodoviária na região. Classificar facções como terroristas sem reforçar o efetivo policial pode gerar expectativa sem resultado concreto.

O Que Dizem os Envolvidos

O relator, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, argumentou que as facções brasileiras "ampliaram a atuação e hoje operam de forma semelhante a redes internacionais". Segundo ele, a inclusão do PCC e do CV na lista é uma resposta à escalada da violência e ao alcance transnacional dessas organizações.

A bancada de MS na Câmara acompanha o tema. Deputados federais do estado já se manifestaram a favor de medidas mais duras contra o crime organizado na fronteira, especialmente após operações como a "Barril 67", que desmontou rede de tráfico interestadual com base em MS.

Organizações de direitos humanos alertam que a classificação terrorista pode ser usada de forma abusiva e que o Brasil já possui instrumentos legais suficientes para combater o crime organizado, como a Lei de Organizações Criminosas (Lei 12.850/2013).

Próximos Passos

  • Próxima etapa: Análise pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, em caráter conclusivo.
  • Se aprovada na CCJ: Segue para o Senado Federal.
  • Prazo estimado: Semanas a meses, dependendo da pauta legislativa.
  • Monitoramento: Acompanhar posição da bancada de MS na CCJ e no Senado.

Fechamento

A aprovação na Comissão de Relações Exteriores é o primeiro passo de um processo legislativo que ainda tem etapas pela frente. Para MS, o debate não é abstrato. A fronteira com o Paraguai é o ponto de entrada de boa parte das drogas que abastecem o mercado brasileiro, e o PCC opera na região com estrutura logística sofisticada. Classificar a facção como terrorista pode abrir portas para mais recursos e cooperação internacional — mas também levanta questões sobre proporcionalidade, direitos civis e o risco de militarização de uma fronteira já tensa.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br) — "Comissão aprova classificar PCC e CV como grupos terroristas", 10 de abril de 2026
  • Campo Grande News — "EUA podem agir na fronteira de MS se PCC for tratado como terrorista"
  • Campo Grande News — "Estados Unidos miram PCC e colocam a fronteira de MS no radar"

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Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br)
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Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.