
A repressão a fraudes financeiras e estelionato praticado contra idosos e aposentados no interior do estado do Pará registrou uma importante ação policial. Em uma operação de campo deflagrada pela Polícia Civil do Pará, por meio da Delegacia Seccional de Castanhal (PA), foram cumpridos mandados judiciais que culminaram na prisão de quatro mulheres suspeitas de integrar uma associação criminosa. O grupo atuava gerenciando um falso escritório de advocacia voltado a ludibriar idosos de baixa renda sob a promessa de revisar benefícios previdenciários e liberar precatórios do INSS, cobrando pagamentos antecipados fraudulentos que geraram um prejuízo estimado de R$ 100 mil.
As investigadas presas e a farta documentação contratual apreendida foram encaminhadas à Seccional de Castanhal para o processamento penal de praxe.
O Que Aconteceu
A prisão em flagrante das quatro suspeitas ocorreu na terça-feira, 11 de agosto de 2026, após denúncias de vítimas que desconfiaram da ausência de registros oficiais de andamentos processuais no Tribunal de Justiça do Pará. O grupo alugava salas comerciais no centro de Castanhal, mobiliando-as com computadores e pastas de arquivos para simular a infraestrutura física de um escritório de advocacia real. Elas abordavam aposentados e pensionistas na saída de agências bancárias ou nas imediações de postos de saúde de Castanhal.
Aproveitando-se da falta de conhecimento técnico dos idosos, as golpistas ofereciam facilidades burocráticas para obter revisões de valores ou o saque de precatórios federais inexistentes.
Para dar andamento ao suposto processo, elas exigiam pagamentos prévios de taxas judiciais e honorários advocatícios fictícios, cobrando valores que variavam entre R$ 500 e R$ 10 mil de cada idoso. Durante as buscas realizadas na sala comercial de fachada e em endereços residenciais das investigadas, os policiais civis apreenderam computadores, fardos de contratos de honorários simulados, anotações detalhando dados de CPFs e CPFs de centenas de idosos, recibos manuais de pagamento e telefones celulares usados pelas golpistas.
Contexto e Histórico
O estelionato previdenciário e a criação de escritórios de advocacia fantasmas são modalidades criminosas que crescem em municípios do interior do Pará e de outros estados do Norte do Brasil. Quadrilhas especializadas tiram proveito da baixa escolaridade de populações de áreas rurais que dependem exclusivamente de suas pensões do INSS. Ao prometerem ganhos judiciais rápidos na Justiça Federal, os criminosos conseguem obter economias de uma vida inteira de aposentados, que muitas vezes contraem empréstimos em bancos para arcar com as supostas custas solicitadas pelas falsas advogadas.
A fiscalização rígida de alvarás de funcionamento comercial e a consulta ativa ao registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA) são indispensáveis para proteger o patrimônio social.
Essa necessidade de repressão integrada a golpes virtuais e de fachada assemelha-se a outras investigações táticas realizadas recentemente nas divisas nacionais, a exemplo dos furtos sedados na Operação da Polícia Civil do Distrito Federal que prendeu suspeitos de usar encontros sexuais para furtar Pix na Asa Norte (DF), e das investigações contra desvios de verbas na infraestrutura de ensino básico, como a Operação do Ministério Público de Goiás contra fraudes em licitações escolares modulares em 14 municípios de Goiás (GO), bem como o combate ao tráfico de drogas em Presidente Dutra, onde a Polícia Civil do Maranhão desarticulou depósitos de cocaína e maconha de fachadas, demonstrando que as corporações policiais brasileiras estão compartilhando informações contábeis e de inteligência cibernética para sufocar as atividades de estelionatários de morros e asfalto em todo o território nacional.
Impacto Para a População
O fechamento do escritório fantasma em Castanhal interrompe a continuidade de desvios financeiros que prejudicavam famílias carentes, devolvendo a legalidade às atividades do comércio do interior paraense. A prisão das quatro golpistas serve como um alerta preventivo para que aposentados e seus familiares consultem a seccional da OAB ou a Defensoria Pública do Estado do Pará antes de assinar contratos de honorários ou efetuar transferências bancárias adiantadas em favor de terceiros.
A tabela abaixo compila dados operacionais de repressão ao estelionato contra idosos na comarca de Castanhal no período de 2025–2026:
| Ações de Controle e Combate ao Estelionato (Castanhal/PA) | Dados de 2025 | Resultados de 2026 (Parcial) | Destinação de Bens e Melhorias Sociais |
|---|---|---|---|
| Escritórios de Fachada Fechados | 2 salas de fachada | 6 escritórios fechados | Lacração comercial e perícia de documentos |
| Prisões de Estelionatários | 6 prisões | 18 detidos na comarca | Encarceramento em centros de detenção do PA |
| Prejuízos Evitados a Idosos (R$) | R$ 45.000 | R$ 180.000 evitados | Devolução preventiva de valores pelas polícias |
| Denúncias Recebidas (OAB/INSS) | 18 relatos | 54 denúncias apuradas | Abertura de inquéritos policiais criminais |
O Que Dizem os Envolvidos
O delegado seccional da Polícia Civil de Castanhal destacou o caráter covarde das fraudes contra idosos:
"O grupo de golpistas agia de forma calculada, selecionando idosos vulneráveis na porta de bancos em Castanhal. Elas simulavam uma estrutura jurídica real para arrancar taxas de R$ 500 a R$ 10 mil de aposentados que dependem da previdência para comprar remédios e comida. A apreensão dos computadores e dos contratos de honorários falsos servirá como prova material robusta para mantê-las presas e evitar que novas famílias sejam lesadas." — Delegacia Seccional de Castanhal.
O presidente da subseção da OAB em Castanhal alertou sobre os canais corretos de consulta profissional:
"Repudiamos o uso ilegal da advocacia por estelionatários para aplicar golpes. A OAB-PA está colaborando ativamente com a Polícia Civil para fornecer dados cadastrais e esclarecer que advogados legítimos nunca exigem pagamentos adiantados por WhatsApp para liberação de precatórios ou benefícios do INSS. Pedimos que a população denuncie qualquer comportamento suspeito na nossa sede local." — Nota Oficial da OAB-PA.
Próximos Passos
Os peritos forenses do Instituto de Criminalística do Pará realizarão a quebra de sigilo e perícia dos computadores apreendidos na sala comercial para rastrear a planilha de movimentação financeira do grupo golpista.
A Polícia Civil do Pará oficiará a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para confirmar se os nomes e dados de registros profissionais que constavam nos carimbos falsificados pertencem a defensores reais que tiveram suas identidades clonadas.
O Ministério Público estadual formulará a denúncia penal por estelionato qualificado contra idoso, associação criminosa e falsificação de documentos públicos no prazo de dez dias úteis, requerendo a conversão das prisões temporárias em preventivas.
Fechamento
O portal Bastidor Público continuará publicando reportagens investigativas sobre o combate a fraudes previdenciárias e o policiamento no estado do Pará. A preservação do patrimônio e a dignidade das famílias de aposentados dependem do combate permanente a escritórios fantasmas e do rigor tático das delegacias na fiscalização de estabelecimentos comerciais no interior.
Cidadãos do Pará que possuam informações sobre falsos advogados e golpes previdenciários em Castanhal podem encaminhar denúncias anônimas pelo Disque-Denúncia 181.



