Polícia Civil e Bombeiros Investigam Morte de Criança de 5 Anos em Tanque de Granja em Rio Verde

O Que Aconteceu
A Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO), por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Rio Verde, em conjunto com o 4º Batalhão de Bombeiros Militar (4º BBM) e peritos da Polícia Técnico-Científica (SPTC), está conduzindo uma rigorosa investigação para apurar todas as circunstâncias da trágica morte do menino Tiago Silva Lopes, de apenas 5 anos de idade. O corpo da criança foi localizado sem vida no final da manhã do último domingo, 16 de agosto de 2026, submerso no interior de um tanque de tratamento e decantação de dejetos de uma granja de suínos situada na zona rural do município de Rio Verde, no Sudoeste Goiano.
O garoto havia desaparecido no final da manhã do sábado anterior, 15 de agosto, enquanto passava o dia com os pais na propriedade rural onde familiares prestavam serviços. Ao perceberem a ausência repentina da criança nos arredores do galpão de ordenha e criação, os pais entraram em desespero e acionaram imediatamente o telefone de emergência 193 do Corpo de Bombeiros.
Uma intensa e ininterrupta operação de busca e salvamento foi montada na área, mobilizando dezenas de militares, brigadistas, cães farejadores e voluntários da comunidade rural, além de drones equipados com câmeras térmicas que sobrevoaram plantações de milho e cana-de-açúcar ao longo de toda a noite de sábado.
A localização do corpo ocorreu por volta das 11h de domingo, quando os mergulhadores e especialistas em salvamento aquático dos bombeiros realizaram o esgotamento parcial e a varredura com varas de sondagem no tanque de dejetos orgânicos da granja, confirmando a morte por afogamento e asfixia mecânica. O local foi isolado pela Polícia Militar para o trabalho pericial e o corpo do pequeno Tiago foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Rio Verde.
Contexto e Histórico
O município de Rio Verde é o maior polo agropecuário e industrial do estado de Goiás e uma das capitais do agronegócio nacional, destacando-se pela produção em larga escala de grãos, avicultura de corte e suinocultura industrial integrada com grandes cooperativas de alimentos.
Nas granjas suinícolas modernas, a gestão de efluentes exige a construção de grandes reservatórios e lagoas anaeróbias impermeabilizadas com mantas plásticas (geomembranas de PEAD) para decantação, fermentação e tratamento dos dejetos orgânicos antes de sua aplicação como biofertilizante nas lavouras. Devido à textura escorregadia das mantas plásticas e à alta densidade e viscosidade dos líquidos acumulados, essas estruturas representam armadilhas de altíssimo perigo de afogamento para animais e seres humanos que porventura caiam em seu interior, tornando a saída praticamente impossível sem o auxílio de cordas ou escadas de emergência.
Normas regulamentadoras de segurança do trabalho e diretrizes ambientais estaduais e municipais exigem expressamente que todas as lagoas de dejetos e tanques de biofertilizantes em propriedades rurais sejam cercados com alambrados de altura mínima de 1,80 metro, trancados com cadeados e dotados de placas visíveis de advertência sobre o risco de morte.
A tragédia do pequeno Tiago provocou imensa comoção social em Rio Verde e acendeu um sinal de alerta em todo o setor produtivo do Sudoeste Goiano sobre a urgência do cumprimento rigoroso das regras de segurança em instalações industriais do campo.
Impacto Para a População
O doloroso falecimento de Tiago Silva Lopes entristeceu a população de Rio Verde e mobilizou entidades de defesa dos direitos da infância e produtores rurais para reforçar a segurança nas propriedades do interior.
| Dados da Ocorrência Rural em Rio Verde | Informações Oficiais da PCGO e Bombeiros |
|---|---|
| Vítima | Tiago Silva Lopes (5 anos de idade) |
| Local do fato | Granja de suínos na zona rural de Rio Verde (GO) |
| Tempo de buscas ininterruptas | Mais de 24 horas de operação |
| Causa preliminar da morte | Afogamento e asfixia por submersão |
| Estrutura do acidente | Tanque de decantação de dejetos com manta plástica |
| Encarregados do inquérito | DPCA de Rio Verde e Polícia Técnico-Científica |
Para a família enlutada, que vivencia uma dor insuperável, a Prefeitura de Rio Verde e a Secretaria Municipal de Assistência Social disponibilizaram atendimento psicológico emergencial e apoio logístico para a realização do velório e sepultamento no cemitério municipal.
Para os proprietários de granjas e fazendas agroindustriais de Goiás, o caso reforça a necessidade de auditorias imediatas em cercamentos de tanques, fossas e represas, garantindo que crianças e visitantes não tenham acesso a áreas operacionais perigosas.
O Que Dizem os Envolvidos
"Nossas equipes empregaram todos os recursos humanos e tecnológicos possíveis, com cães de busca e drones térmicos, na esperança de encontrar a criança com vida nas matas ou lavouras da região. Infelizmente, a confirmação de que o menino caiu no tanque de dejetos encerra a ocorrência com profunda tristeza para todos os bombeiros envolvidos." — Comandante do 4º Batalhão de Bombeiros Militar de Rio Verde.
"A Delegacia de Proteção à Criança instaurou inquérito policial e a perícia técnica esteve no local realizando o levantamento de engenharia e segurança da granja. Vamos apurar se havia cercamento regulamentar e portões trancados no reservatório para determinar se houve negligência, omissão de cautela ou crime culposo por parte dos responsáveis pela fazenda." — Delegado Titular da DPCA de Rio Verde.
"A perda do nosso pequeno Tiago é uma dor que não tem fim. Ele era um menino cheio de vida, inteligente e carinhoso. Só pedimos a Deus força para aguentar esse momento e que a verdade sobre a falta de segurança naquele lugar seja esclarecida." — Familiar da criança, em declaração no IML.
O Sindicato Rural de Rio Verde e a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) emitiram notas de solidariedade à família e reforçaram a orientação técnica aos associados sobre a importância do isolamento físico de tanques e reservatórios de efluentes.
Próximos Passos
O Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica de Rio Verde emitirá o laudo pericial de local de crime e o laudo cadavérico de necropsia no prazo legal de dez dias úteis, detalhando se a criança sofreu algum tipo de traumatismo prévio antes da queda no tanque.
A DPCA de Rio Verde tomará os depoimentos formais do proprietário da granja, do administrador da fazenda e dos encarregados de segurança do trabalho para averiguar a conformidade dos cercamentos e alvarás da propriedade rural.
O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), por meio da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude e de Defesa do Meio Ambiente, acompanhará o inquérito e poderá propor Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o setor agroindustrial para fiscalização preventiva de todas as lagoas de dejetos do município.
Fechamento
A perda irreparável do menino Tiago Silva Lopes em Rio Verde é uma tragédia que dilacera o coração de todos nós e nos confronta com o dever sagrado e inadiável de proteger com vigilância absoluta a vida de nossas crianças em todos os ambientes. Nenhuma atividade econômica ou rotina de trabalho no campo pode justificar a negligência na segurança de estruturas industriais e tanques de alta periculosidade.
A apuração rigorosa conduzida pela Polícia Civil e pelos peritos é o compromisso mínimo de justiça perante a memória do pequeno Tiago e o sofrimento de sua família. Que este doloroso acontecimento desperte a responsabilidade de produtores rurais e da sociedade para que cercas, travas e cuidados preventivos impeçam que outras vidas inocentes sejam ceifadas de forma tão precoce.




