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Com UTIs no limite e regulação em alta, SES-MS e Ministério da Saúde ativam plano de contingência e liberam R$ 42 milhões para 120 novos leitos em Campo Grande e Dourados

Pacto extraordinário entre governo estadual e pasta federal busca desafogar prontos-socorros do Hospital Regional de MS e da macrorregião da Grande Dourados; aporte financiará leitos de terapia intensiva, respiradores e reforço de equipes médicas plantonistas.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 30 de outubro de 2026 às 00:00
7 min de leitura
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Equipes técnicas da SES-MS e socorristas do Samu recebem equipamentos e novas unidades móveis de suporte avançado em frente ao Hospital Regional de MS durante ativação do plano de contingência — Imagem criada por inteligência artificial.
Equipes técnicas da SES-MS e socorristas do Samu recebem equipamentos e novas unidades móveis de suporte avançado em frente ao Hospital Regional de MS durante ativação do plano de contingência — Imagem criada por inteligência artificial.

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS) e o Ministério da Saúde formalizaram, nesta sexta-feira, a ativação de um plano emergencial de contingência para reestruturar a rede de atenção terciária do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. O termo de cooperação federativa viabiliza o repasse extraordinário de R$ 42,8 milhões para a abertura, equipagem e custeio imediato de 120 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) distribuídos entre os polos hospitalares de Campo Grande e Dourados.

A medida ocorre no momento em que a Central de Regulação de Vagas registrou um índice de estresse crítico: a taxa média de ocupação das UTIs públicas nas macrorregiões da capital e do cone-sul sul-mato-grossense ultrapassou a marca de 96,4%, gerando filas de espera de mais de 36 horas para a transferência de pacientes graves estabilizados em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais de pequeno porte do interior.

O plano de resposta rápida mobiliza o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), a Santa Casa de Campo Grande, o Hospital Universitário da UFGD e o Hospital da Vida em Dourados, integrando suporte financeiro federal com a mobilização de médicos intensivistas, fisioterapeutas respiratórios e equipes de enfermagem em regime de plantão ampliado.


O diagnóstico do colapso: choque térmico, viroses e traumas rodoviários

A sobrecarga hospitalar observada na rede estadual de saúde resulta da convergência de múltiplos fatores sazonais e estruturais. O primeiro deles é a instabilidade atmosférica e a oscilação brusca de temperatura registrada no estado nas últimas duas semanas, fenômeno climático que provocou um salto de 44% nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), afetando com particular gravidade crianças com bronquiolite e idosos com doença pulmonar obstrutiva crônica.

Essa oscilação térmica abrupta já vinha mobilizando o sistema de defesa civil estadual, como documentado nas ocorrências onde o vendaval de até 85 km/h e choque térmico deixaram estragos e mobilizaram bombeiros e equipes de saúde em Campo Grande e no interior. As mudanças repentinas de tempo potencializaram a circulação viral e superlotaram os postos de triagem médica.

O segundo vetor de pressão sobre os leitos de alta complexidade é o aumento contínuo no número de politraumatizados decorrentes de colisões e tombamentos de veículos de carga nas rodovias estaduais e federais. Com o intenso escoamento agrícola e a migração de frotas pesadas pelas rodovias em razão da estiagem fluvial, o índice de acidentes graves demandando leitos de trauma cirúrgico atingiu picos históricos, drenando vagas que normalmente acolheriam pacientes clínicos crônicos.

A demanda por atendimento pré-hospitalar e suporte avançado de vida também tem sido tensionada por resgates complexos, a exemplo do alerta de tempestade e granizo que mobilizou equipes de salvamento do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, demonstrando a interdependência entre os eventos climáticos extremos e o colapso dos prontos-socorros.


Distribuição dos leitos e aplicação detalhada dos R$ 42,8 milhões

O plano de contingência detalha com rigor técnico onde cada centavo do aporte extraordinário será injetado para produzir alívio operacional imediato na Central de Regulação Estadual de Leitos (Core).

Do montante total de R$ 42,8 milhões:

  • R$ 26,0 milhões serão destinados à macrorregião de Campo Grande:
    • 50 novos leitos de UTI Adulto no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS);
    • 20 leitos de UTI Pediátrica e Neonatal conveniados na Santa Casa de Campo Grande;
    • Aquisição de 70 monitores multiparâmetros, 50 ventiladores mecânicos invasivos de última geração e 12 aparelhos de hemodiálise contínua para terapia intensiva.
  • R$ 16,8 milhões atenderão a macrorregião de Dourados e fronteira:
    • 30 novos leitos de UTI no Hospital da Vida;
    • 20 leitos de suporte avançado no Hospital Universitário da Grande Dourados (HU-UFGD);
    • Reforço no custeio das equipes do Samu 192 e locação de três ambulâncias com tração 4x4 para o transporte inter-hospitalar de pacientes graves procedentes de municípios da faixa de fronteira como Ponta Porã, Amambai e Naviraí.
Unidade Hospitalar Município Leitos Atuais de UTI Novos Leitos Contratados Capacidade Total Projetada Investimento Previsto
Hospital Regional de MS (HRMS) Campo Grande 68 leitos +50 leitos 118 leitos R$ 18,5 milhões
Santa Casa de Campo Grande Campo Grande 85 leitos +20 leitos 105 leitos R$ 7,5 milhões
Hospital da Vida / Funsaud Dourados 32 leitos +30 leitos 62 leitos R$ 10,2 milhões
Hospital Universitário (HU-UFGD) Dourados 24 leitos +20 leitos 44 leitos R$ 6,6 milhões

O modelo de gestão: credenciamento expresso e auditoria de leitos

Um dos gargalos históricos da saúde pública em Mato Grosso do Sul residia na morosidade burocrática para a homologação de leitos temporários junto ao Ministério da Saúde. Para contornar esse obstáculo, o governo estadual utilizou o mecanismo do Credenciamento Expresso por Situação de Emergência Sanitária, amparado pela Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990) e pelo Decreto Estadual nº 15.980.

Esse dispositivo permite que os hospitais filantrópicos e universitários ativem leitos imediatamente, com garantia de pagamento das diárias no valor de R$ 1.600 por vaga/dia retroativo à data de admissão do paciente, sem necessidade de aguardar a publicação de portarias ordinárias no Diário Oficial da União.

Para evitar desperdícios e desvios de finalidade, a Controladoria-Geral do Estado (CGE-MS) e o Conselho Estadual de Saúde designaram comissões independentes de fiscalização que farão a auditoria em tempo real do censo hospitalar. Cada internação deverá ser registrada com prontuário eletrônico unificado e certificação biométrica de admissão e alta, garantindo transparência contábil integral e respeito aos critérios técnicos da regulação médica.


A articulação federativa e as declarações das autoridades

Em ato de assinatura realizado no auditório da Governadoria com transmissão ao vivo para gestores municipais de saúde, o titular da SES-MS enfatizou a importância do alinhamento institucional entre o Palácio do Planalto e a administração estadual:

"A saúde pública não pode ser refém de disputas político-partidárias. Quando uma criança com insuficiência respiratória ou um trabalhador vítima de acidente precisa de um respirador mecânico, a resposta tem que ser imediata e resolutiva. Esse aporte conjunto de R$ 42 milhões representa a maturidade das instituições republicanas em priorizar a preservação da vida do cidadão sul-mato-grossense."

Por sua vez, a secretária-executiva do Ministério da Saúde ressaltou que a experiência de Mato Grosso do Sul na contratualização ágil de leitos servirá de projeto-piloto para outras unidades da federação que enfrentam crises similares de descompasso entre oferta e demanda terciária:

"O modelo tripartite de cofinanciamento pactuado hoje com Mato Grosso do Sul demonstra que é possível aliar agilidade executiva a um controle fiscal rigoroso. Asseguramos o fluxo financeiro para que nenhum hospital conveniado fique desabastecido de medicamentos essenciais, sedativos ou insumos para intubação."


Metas operacionais e monitoramento da fila de espera

Com a entrada em operação dos primeiros 40 leitos nas próximas 72 horas, a expectativa dos técnicos da regulação médica é reduzir o tempo médio de espera por vaga de UTI de 38 horas para menos de 8 horas até o final da primeira semana de novembro.

O monitoramento contínuo dos indicadores hospitalares será publicado diariamente em painel eletrônico de acesso público no portal da SES-MS, permitindo que a sociedade civil organizada, o Ministério Público Estadual (MPMS) e as câmaras municipais acompanhem a evolução da taxa de desocupação das UPAs e a efetividade dos tratamentos dispensados.

Ao unir responsabilidade orçamentária, planejamento logístico e coordenação técnica entre Estado e União, Mato Grosso do Sul estabelece uma resposta robusta para salvar vidas e resguardar a dignidade dos usuários do SUS em um dos momentos mais desafiadores do calendário sanitário do Centro-Oeste.

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Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.