
A repressão ao comércio clandestino de armamentos e à infiltração de facções interestaduais no Nordeste brasileiro avançou com uma ação de grande repercussão econômica. A Polícia Civil da Bahia, por meio do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), deflagrou na terça-feira, 11 de agosto de 2026, a primeira fase da Operação Exarmatio. A ofensiva policial cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades baianas de Feira de Santana e Santo Estêvão, além de Aracaju, capital de Sergipe, mirando os operadores logísticos de um esquema que transportava fuzis, pistolas e munições de grosso calibre do Rio de Janeiro para o mercado ilícito nordestino.
Por ordem da Vara Criminal especializada da comarca de Salvador, a Justiça decretou o bloqueio judicial de R$ 38 milhões das contas e do patrimônio dos líderes da organização criminosa, asfixiando os fluxos financeiros do tráfico.
O Que Aconteceu
A Operação Exarmatio foi deflagrada nas primeiras horas da manhã com o objetivo de colher provas documentais, computadores, celulares e ativos de luxo pertencentes aos investigados. A força-tarefa da Polícia Civil baiana mobilizou dezenas de investigadores do Draco para cumprir 16 ordens judiciais de busca domiciliar e em galpões de armazenamento logístico. Os alvos principais localizavam-se em bairros de classe média e alta em Feira de Santana, cidade que funcionava como o ponto central de recepção do material bélico enviado clandestinamente a partir de favelas do Rio de Janeiro.
Durante a execução dos mandados, as equipes policiais apreenderam diversos celulares, documentos de contabilidade oculta e comprovantes de movimentações bancárias suspeitas em nome de empresas de fachada.
Nas garagens dos suspeitos em Feira de Santana e Santo Estêvão, os investigadores confiscaram veículos utilitários e de passeio que eram utilizados para o frete camuflado de mercadorias lícitas misturadas às armas e carregadores ocultos. Os celulares e HDs apreendidos foram lacrados e encaminhados para a perícia digital especializada do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil, que visa identificar a rede completa de compradores de armas no Nordeste.
Contexto e Histórico
Feira de Santana, por ser o maior entroncamento rodoviário do Norte e Nordeste do Brasil, ligando rodovias federais vitais como a BR-116 e a BR-324, é amplamente cobiçada por facções criminosas para o estabelecimento de bases de apoio e transbordo de mercadorias ilícitas. Armas compradas por quadrilhas na fronteira internacional do Brasil ou em grandes centros urbanos são contrabandeadas para o estado da Bahia ocultas em fundos falsos de carretas, aproveitando o imenso fluxo diário de transporte de cargas agrícolas e industriais da região.
Para combater esses fluxos logísticos complexos, as polícias de todo o Brasil têm intensificado a cooperação interestadual de inteligência e focado na descapitalização financeira das facções.
Esta nova postura das forças policiais assemelha-se à recente Operação Game Over deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em Lins (SP), que bloqueou R$ 6 milhões de contas bancárias de gerentes do tráfico regional, e à asfixia eletrônica em presídios, a exemplo da antena de satélite Starlink que a Polícia Penal interceptou disfarçada em um rádio no Complexo Penitenciário de Gericinó (RJ) para bloquear contatos externos de detentos, bem como o rigor jurídico no controle penal fluminense e capixaba contra chefes de quadrilhas, demonstrando que as autoridades nacionais estão unindo esforços para neutralizar a inteligência e o capital que nutrem o tráfico de armas e drogas nas divisas estaduais.
Impacto Para a População
O sequestro judicial de R$ 38 milhões representa um golpe histórico na estrutura de poder da facção baiana, reduzindo drasticamente seu poder de compra e o financiamento de novos fuzis que alimentam a violência urbana e as mortes em Feira de Santana e região. A retirada de circulação desses ativos enfraquece a logística dos criminosos nas estradas do Nordeste, trazendo maior segurança para caminhoneiros e motoristas particulares que trafegam diariamente pelas rodovias de integração regional.
A tabela abaixo compila dados operacionais de repressão ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro em Feira de Santana/BA no período de 2025–2026:
| Resultados de Inteligência e Polícia (Feira de Santana) | Balanço Geral 2025 | Parciais de 2026 | Destinação dos Bens e Ativos pela Justiça |
|---|---|---|---|
| Bens e Contas Bloqueadas (R$) | R$ 4,8 milhões | R$ 42,5 milhões | Depósito no Fundo de Segurança Pública da Bahia |
| Mandados de Busca contra Armas | 19 mandados | 38 ordens de busca | Coleta de provas documentais e perícia técnica |
| Celulares e Computadores Retidos | 35 dispositivos | 92 aparelhos | Perícia digital no laboratório de lavagem |
| Veículos de Luxo Confiscados | 4 veículos | 11 carros de luxo | Leilão judicial com renda revertida para a polícia |
O Que Dizem os Envolvidos
O delegado coordenador do Draco na Bahia ressaltou que a asfixia financeira é o foco estratégico contra as grandes facções:
"O tráfico de armas é um negócio empresarial altamente lucrativo e violento. A apreensão de munição na ponta é necessária, mas o bloqueio judicial de R$ 38 milhões das contas bancárias dos operadores é o que realmente desestrutura a engrenagem do crime organizado. Mostramos que Feira de Santana não será tolerada como base logística segura para quadrilhas importadoras de armas." — Direção Geral do Draco-BA.
O Secretário de Segurança Pública da Bahia destacou o uso de inteligência rodoviária para monitorar os eixos de trânsito:
"A Operação Exarmatio comprova a importância de investir em análise financeira e monitoramento de rodovias. O grupo usava o maior entroncamento do Nordeste para escoar armamentos do Rio de Janeiro. A colaboração com as polícias de outros estados e o bloqueio milionário reduzem a capacidade do crime organizado de agir de forma interestadual nas nossas divisas." — Nota da SSP-BA.
Próximos Passos
Os peritos contábeis do laboratório contra a lavagem de dinheiro farão a varredura das transações bancárias das empresas de fachada. Os investigadores pretendem mapear a destinação dos recursos desviados e cruzar as informações com declarações de impostos de renda de anos anteriores, buscando identificar se os empresários baianos atuavam com plena conivência na ocultação do patrimônio da facção criminosa ou se foram vítimas de chantagem.
A Polícia Civil intimará gerentes de agências bancárias em Feira de Santana para obter informações sobre a abertura das contas laranjas. A equipe de inteligência da Secretaria de Segurança Pública da Bahia suspeita que a abertura dessas contas tenha sido facilitada por fraudadores profissionais que clonavam identidades de aposentados, e planeja deflagrar novas ordens de buscas com base nas respostas das instituições financeiras.
A Vara Criminal aguardará o relatório final do Draco nos próximos quinze dias para decidir sobre a decretação de prisões preventivas adicionais. As autoridades judiciais também analisam o pedido de extradição tática de dois investigados localizados em Sergipe, visando concentrar todas as fases do processamento penal dos envolvidos na comarca baiana.
Fechamento
O portal Bastidor Público continuará monitorando as grandes operações contra o tráfico de armas e as ações do Draco no Nordeste do Brasil. A garantia de segurança das famílias baianas passa pela repressão tática de eixos logísticos rodoviários e pelo confisco sistemático de fortunas construídas de forma ilícita à custa da paz social das comunidades.
Moradores da Bahia podem contribuir com o trabalho das forças policiais denunciando de forma anônima e gratuita pelo telefone Disque-Denúncia 181.



