O Que Aconteceu
No dia 1º de julho de 2026, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deflagrou a Operação Coluna Sul, a maior ação de sua história contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). A megaoperação policial cumpriu, de forma simultânea, 320 ordens judiciais em seis estados da federação: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. A ofensiva foi expedida pela Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina, sendo composta por 151 mandados de prisão temporária e 169 mandados de busca e apreensão.
Em Minas Gerais, as investigações do GAECO concentraram suas ações em três polos regionais decisivos: a capital Belo Horizonte, o município de Uberlândia no Triângulo Mineiro e a cidade de Juiz de Fora na Zona da Mata. O objetivo principal das investidas mineiras foi neutralizar lideranças e operacionais da facção criminosa que atuavam de forma articulada no controle de rotas interestaduais de tráfico de drogas, homicídios e comércio ilícito de armas de fogo. A operação mirou, de forma integrada, a comunicação e a cadeia de comando da organização criminosa que operava tanto dentro de unidades prisionais de segurança máxima quanto no ambiente externo, nas ruas.
A mobilização policial para dar cumprimento às medidas judiciais foi de proporções gigantescas. No total, a força-tarefa empenhou um efetivo de 103 integrantes do GAECO e aproximadamente 552 agentes de segurança pública, com suporte logístico terrestre e aéreo constituído por 198 viaturas e dois helicópteros. As diligências simultâneas em Minas Gerais contaram com o apoio operacional de forças policiais locais, garantindo a captura de alvos estratégicos e a apreensão de farto material probatório que comprova a ramificação logística do grupo.
Ao final do primeiro ciclo de cumprimento das ordens judiciais, o Ministério Público de Santa Catarina contabilizou um saldo preliminar de 147 prisões efetuadas, entre detenções temporárias e prisões em flagrante por porte de substâncias entorpecentes e armamento ilegal. Durante o cumprimento de um dos mandados no estado do Paraná, houve reação armada de um dos alvos da facção, culminando em confronto com as equipes policiais e resultando no óbito do suspeito. O material apreendido nos seis estados — incluindo computadores, documentos e celulares — passará por perícia técnica de dados.
Contexto e Histórico
A Operação Coluna Sul não é um evento isolado, mas sim o ápice de um trabalho contínuo de inteligência policial iniciado há cinco anos. A operação representa um desdobramento direto das investigações da Operação Maserati, deflagrada originalmente pelo GAECO do MPSC em 2021. Naquela ocasião, as autoridades de segurança pública conseguiram mapear com alta precisão o organograma funcional e a capilaridade da facção criminosa paulista nos estados da Região Sul e do Centro-Oeste do Brasil. A partir do cruzamento de dados de interceptações telefônicas autorizadas, depoimentos e relatórios financeiros da Maserati, novas frentes de investigação foram abertas, culminando na operação deflagrada em 1º de julho de 2026.
O nome dado à operação, "Coluna Sul", carrega um forte simbolismo e foi extraído diretamente da terminologia interna da própria facção criminosa. De acordo com as investigações do Ministério Público catarinense, os líderes do PCC referem-se à união dos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul como a "Coluna Sul". Essa faixa geográfica é considerada de altíssima relevância estratégica para a facção por servir como um corredor de escoamento logístico de drogas e armas contrabandeadas dos países produtores na fronteira, que depois são destinadas à exportação internacional através de portos como os de Paranaguá (PR) e Itajaí (SC), além de alimentar mercados consumidores locais.
O Triângulo Mineiro, representado por Uberlândia, e a Zona da Mata, por Juiz de Fora, conectam-se geograficamente a esse corredor, atuando como entrepostos cruciais de distribuição de drogas e armas para a Região Sudeste do país. Com a intensificação da presença policial nas fronteiras secas do Sul, a facção passou a utilizar a malha rodoviária mineira para estocar e redirecionar carregamentos de ilícitos, buscando driblar a fiscalização. As investigações apontam que lideranças encarceradas de dentro de presídios em Minas Gerais mantinham comunicação contínua com membros da "Coluna Sul" para gerenciar o fluxo financeiro e coordenar execuções de rivais.
A estratégia da organização criminosa em criar uma estrutura unificada e descentralizada levou o Ministério Público a atuar também de forma descentralizada e integrada. Paralelamente à Operação Coluna Sul, o MPSC deflagrou a Operação Mercúrio, focada exclusivamente em estrangular o braço financeiro e os canais de lavagem de dinheiro utilizados pelas lideranças da facção para ocultar os lucros obtidos com o tráfico internacional. A atuação coordenada das duas operações visa desmantelar tanto a força de choque armada quanto o poder econômico do grupo.
Impacto Para a População
O desmantelamento das lideranças do crime organizado reflete diretamente no cotidiano das comunidades urbanas e na segurança pública. Ao desarticular os canais de comunicação interna das facções de dentro das penitenciárias de segurança máxima de Minas Gerais e de outros estados, a polícia bloqueia a transmissão de ordens para a execução de crimes violentos nas ruas. Especialistas em segurança pública indicam que as ordens para homicídios de adversários, assaltos a agências bancárias e invasões de territórios periféricos partem predominantemente de dentro do sistema prisional, impulsionadas pelo uso ilegal de celulares.
Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a fiscalização rigorosa no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (conhecido como Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande) resultou na apreensão de 18 telefones celulares, além de porções significativas de maconha, cocaína e carregadores eletrônicos. Essa asfixia nos meios de comunicação intramuros enfraquece a hierarquia da facção e impede a coordenação em tempo real de assaltos e assassinatos nos bairros periféricos de grandes cidades mineiras, como Belo Horizonte, Uberlândia e Juiz de Fora.
A tabela abaixo consolida os principais indicadores e números operacionais da Operação Coluna Sul, fornecendo uma visão clara da dimensão da força-tarefa liderada pelo GAECO do MPSC e seu impacto nacional:
| Indicador da Operação | Dados Consolidados | Abrangência e Detalhes Operacionais |
|---|---|---|
| Mandados de Prisão Temporária | 151 mandados | Cumpridos simultaneamente em residências e presídios |
| Mandados de Busca e Apreensão | 169 mandados | Foco na coleta de celulares, mídias digitais e documentos |
| Total de Ordens Judiciais | 320 ordens | Expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas (SC) |
| Profissionais Envolvidos | 655 agentes | Divisão entre 103 do GAECO e 552 policiais de campo |
| Frota Logística Utilizada | 198 viaturas | Apoio de 2 helicópteros para monitoramento tático aéreo |
| Estados Brasileiros Alvos | 6 estados | Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, MS e Minas Gerais |
| Cidades-Polo em Minas Gerais | 3 municípios | Belo Horizonte (capital), Uberlândia (Triângulo) e Juiz de Fora |
| Prisões Confirmadas | 147 detenções | Dados do balanço preliminar divulged pelo Ministério Público |
| Origem da Inteligência | Operação Maserati (2021) | Investigação que desvendou a capilaridade da facção no Sul |
A asfixia do comércio de drogas e do porte de armas ilegais reduz o índice de violência urbana, pois a disputa de território entre grupos rivais costuma resultar em taxas elevadas de latrocínios e homicídios intencionais. Além disso, a apreensão de materiais de lavagem de dinheiro sob a tutela da Operação Mercúrio contribui para o enfraquecimento do financiamento de outras infrações de colarinho branco que afetam diretamente o desenvolvimento econômico local.
O Que Dizem os Envolvidos
Os representantes do Ministério Público e as forças de segurança estaduais têm ressaltado a importância da atuação conjunta no combate a organizações de alta complexidade. Em coletiva de imprensa, coordenadores do GAECO destacaram que a integração interestadual é o único caminho eficiente para combater grupos criminosos cujos comandos transcendem as fronteiras estaduais. O PCC, ao tentar unificar sua atuação no Sul e no Sudeste sob a égide da "Coluna Sul", demandou uma resposta proporcional das instituições públicas.
De acordo com declarações oficiais divulgadas pelo MPSC, a coordenação da operação destacou o êxito das ações integradas:
"A Operação Coluna Sul demonstra que o Ministério Público e as forças de segurança estaduais não atuarão de forma isolada enquanto as facções tentam se organizar de forma federativa. Ao cumprir mandados em Minas Gerais, São Paulo e nos estados do Sul, asfixiamos a comunicação das lideranças que usam as prisões como escritórios de crimes."
As autoridades de segurança pública de Minas Gerais também reforçaram que a cooperação técnica e o compartilhamento de dados de inteligência entre os Gaecos de Santa Catarina e de Minas Gerais foram essenciais para mapear os endereços das lideranças em Uberlândia, Juiz de Fora e Belo Horizonte, assegurando que o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e das prisões ocorresse sem vazamento de informações e com total segurança para as equipes civis e militares envolvidas.
Próximos Passos
Com a conclusão da primeira fase de prisões e buscas da Operação Coluna Sul, as investigações entram em uma etapa técnica e analítica profunda. Todo o material eletrônico apreendido — composto por dezenas de smartphones, tablets, notebooks e documentos contábeis — será submetido a perícia criminal detalhada. Os peritos concentrarão seus esforços na recuperação de mensagens apagadas, históricos de transações em contas correntes fantasmas e registros de chamadas telefônicas que conectam os criminosos presos em Minas Gerais aos coordenadores da facção em São Paulo e Santa Catarina.
A Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina analisará, nos próximos dias, os pedidos de conversão das prisões temporárias em preventivas, fundamentados nos indícios colhidos durante a operação. O Ministério Público trabalhará na formulação das denúncias criminais formais pelos crimes de organização criminosa armada, tráfico interestadual de entorpecentes, associação para o tráfico, lavagem de capitais e homicídios qualificados.
Além disso, as informações financeiras obtidas através das investigações paralelas da Operação Mercúrio serão utilizadas pelas autoridades fiscais para o bloqueio de ativos, sequestro de bens imóveis e de veículos de luxo adquiridos com dinheiro proveniente das atividades ilícitas. Esse processo judicial de descapitalização é considerado essencial para impedir que o grupo se reorganize rapidamente utilizando fundos de reserva depositados em contas de laranjas.
Fechamento
A deflagração da Operação Coluna Sul no início de julho de 2026 marca um ponto de inflexão no combate ao crime organizado no Brasil Central e no Sul do país. Ao mirar a articulação do PCC em estados como Minas Gerais, a força-tarefa coordenada pelo GAECO do MPSC impõe uma severa derrota logística e financeira a uma facção que vinha tentando consolidar um corredor contínuo para o escoamento de drogas e armas. O sucesso da megaoperação expõe a necessidade de fortalecer as redes de inteligência policial e o compartilhamento ágil de dados entre unidades de federações distintas.
O fortalecimento da segurança pública nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Uberlândia e Juiz de Fora depende, essencialmente, da continuidade dessas ações de repressão qualificada, impedindo que a facção se restabeleça nas ruas e nas unidades de detenção. Somente através do estrangulamento de comunicações e da descapitalização financeira das organizações criminosas será possível garantir a integridade dos cidadãos e preservar a autoridade do poder público.
Fontes e Referências
- Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) (https://www.mpsc.mp.br)
- Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO/MPSC) (https://www.mpsc.mp.br/gaeco)
- Campo Grande News (https://www.campograndenews.com.br)
- Portal de Notícias G1 (https://g1.globo.com)
