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Operação Capolinea: PF e FICCO/MS Miram Rota de 24 Toneladas de Drogas da Bolívia Escondidas em Cargas de Minério e Bloqueiam R$ 24 Milhões

Força-tarefa cumpre 41 mandados judiciais em MS e outros três estados contra quadrilha transnacional que aliciava funcionários de mineradoras em Corumbá; chefe estava foragido na Bolívia.

RB
Por Redação Bastidor Público
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 00:00
Corumbá7 min de leitura
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Agentes da Polícia Federal e forças integradas da FICCO/MS fiscalizam carretas de minério e cumprem mandados em Corumbá contra rota transnacional do tráfico. — Imagem criada por inteligência artificial.
Agentes da Polícia Federal e forças integradas da FICCO/MS fiscalizam carretas de minério e cumprem mandados em Corumbá contra rota transnacional do tráfico. — Imagem criada por inteligência artificial.

O Que Aconteceu: O Cerco da FICCO/MS ao Esquema do Minério na Fronteira

Uma ofensiva tática e investigativa sem precedentes na fronteira oeste de Mato Grosso do Sul foi deflagrada nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 15 de outubro de 2026. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Mato Grosso do Sul (FICCO/MS), sob coordenação operacional da Polícia Federal e apoio de órgãos de segurança estaduais, colocou nas ruas a Operação Capolinea. A força-tarefa mobilizou cerca de 100 policiais federais, civis, militares (PMMS) e penais para desbaratar uma rede transnacional que movimentou cerca de 24 toneladas de entorpecentes oriundos da Bolívia.

A ofensiva teve como epicentro o município de Corumbá, na fronteira com as cidades bolivianas de Puerto Quijarro e Puerto Suárez, mas suas ramificações se estenderam para Campo Grande e para endereços estratégicos nos estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Ao todo, os agentes deram cumprimento a 41 mandados judiciais expedidos pela 1ª Vara Federal de Corumbá, englobando 20 mandados de busca e apreensão, 14 de prisão preventiva e 7 de prisão temporária.

No flanco patrimonial, a determinação judicial impôs o sequestro de bens móveis, imóveis de luxo, frotas pesadas de transporte e o congelamento preventivo de ativos bancários de até R$ 24 milhões, desidratando a infraestrutura financeira que sustentava o fluxo logístico transfronteiriço. Paralelamente, três mandados de prisão foram remetidos para a Secretaria-Geral da Interpol com pedido de inclusão na Difusão Vermelha, tendo como alvo o líder máximo da quadrilha, foragido há cerca de seis anos em solo boliviano.


O Modus Operandi: O Camuflamento Sob Toneladas de Minério de Ferro

As investigações que culminaram na Operação Capolinea tiveram início a partir da quebra de sigilo telemático autorizada judicialmente em um aparelho telefônico apreendido com um transportador em um posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-262. O rastreamento revelou uma engrenagem meticulosamente planejada para transformar a cadeia produtiva de minério de ferro de Corumbá em cortina de fumaça para o narcotráfico.

Em vez de arriscarem transportes isolados em veículos de passeio ou ônibus intermunicipais, os chefes da organização criminosa aliciavam motoristas terceirizados e operadores de pátio que prestavam serviços para concessionárias e mineradoras na região do Maciço do Urucum. Com o auxílio desses contatos internos, caixas reforçadas de metal recheadas com cloridrato de cocaína eram soldadas no fundo falso de caçambas basculantes ou inseridas diretamente sob as pilhas de minério bruto e pó de ferro.

A densidade e o peso do minério de ferro dificultavam extraordinariamente a detecção por escâneres convencionais e criavam uma barreira olfativa que neutralizava o faro de cães policiais nas fiscalizações de pista. A partir do carregamento em Corumbá, as carretas seguiam pela BR-262 até Campo Grande, de onde a carga era baldeada e distribuída para galpões clandestinos em Campinas (SP), Goiânia (GO) e na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), abastecendo facções do crime organizado que controlam a revenda urbana e a remessa para portos marítimos.


Estrutura Operacional e Mandados Judiciais da Operação Capolinea

O volume de ordens cautelares cumpridas na manhã de hoje reflete a amplitude da rede que vinha sendo monitorada pelos analistas de inteligência policial. O quadro a seguir detalha a discriminação das medidas decretadas pela Justiça Federal:

Categoria da Medida Quantidade Deferida Abrangência Geográfica Finalidade Investigativa
Mandados de Busca e Apreensão 20 mandados Corumbá, Campo Grande, SP, GO e MG Apreensão de celulares, computadores, armas e documentos contábeis
Prisões Preventivas 14 ordens Alvos do alto escalão e líderes operacionais Custódia por prazo indeterminado para cessar a reiteração criminosa
Prisões Temporárias 7 ordens Motoristas, aliciadores e operadores de pátio Segregação cautelar para garantir a colheita de depoimentos e perícias
Sequestro Patrimonial e Bloqueios Até R$ 24.000.000,00 28 contas correntes de pessoas físicas e jurídicas Descapitalização do narcotráfico e bloqueio de carretas e imóveis
Difusões Vermelhas (Interpol) 3 ordens internacionais Bolívia (Puerto Quijarro e Santa Cruz de la Sierra) Captura e extradição de foragidos da Justiça brasileira no exterior

A atuação coordenada da FICCO/MS — que reúne a expertise investigativa da Polícia Federal, o poder repressivo da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul (PMMS), a inteligência da Polícia Civil (PCMS), a custódia da Polícia Penal e o apoio da Guarda Civil Metropolitana da Capital — garantiu o cumprimento simultâneo dos 41 mandados sem vazamento de informações nem resistência armada durante o adentramento tático aos imóveis monitorados.


O Impacto Para Corumbá, o Pantanal e as Rodovias de Mato Grosso do Sul

A desarticulação dessa rota transnacional traz alívio imediato para os setores produtivos e a população fronteiriça de Corumbá e Ladário. A presença de grupos organizados armados associados ao tráfico internacional costuma desencadear disputas territoriais violentas, roubos de veículos de carga e a cooptação de jovens da periferia para o papel de "mulas" ou olheiros da fronteira.

Do ponto de vista econômico, a contaminação da cadeia do minério de ferro gerava apreensão entre exportadores e transportadores regulares. O minério de Corumbá é um dos principais ativos da balança comercial de Mato Grosso do Sul, escoado tanto pela hidrovia do Rio Paraguai quanto pelas rodovias federais. A comprovação de que o crime organizado estava cooptando funcionários para infiltrar cocaína nas carretas colocava as empresas sob o risco de inspeções burocráticas mais lentas e severas retenções de carga nos portos de Santos e Paranaguá.

O sucesso da Operação Capolinea dialoga diretamente com as diretrizes de endurecimento da segurança pública e do policiamento especializado que o portal Bastidor Público vem acompanhando em Mato Grosso do Sul, como visto na cobertura das operações integradas de fiscalização nas rodovias estaduais e federais do Estado e nas megaofensivas que combatem os elos de lavagem de capitais em âmbito nacional, a exemplo da recente Operação Bifronte da Polícia Federal com bloqueio de R$ 187 milhões.


Próximos Desdobramentos: Perícias em Dispositivos e Pedidos de Extradição

Com o encerramento da fase ostensiva deflagrada nesta manhã de 15 de outubro de 2026, a Polícia Federal e a FICCO/MS iniciam os trabalhos periciais e de instrução penal:

  1. Extração de Dados Forenses: Celulares apreendidos nas celas e nas residências dos envolvidos foram encaminhados ao Setor Técnico-Científico da PF para quebra de criptografia e identificação de empresas de fachada usadas na lavagem de dinheiro.
  2. Auditoria nas Transportadoras: Documentos fiscais e manifestos eletrônicos de carga serão cruzados com notas fiscais de exportação de minério para verificar se existiram outras viagens suspeitas que não foram interceptadas pelas forças policiais.
  3. Cooperação Internacional com a Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN): A Polícia Federal manterá contato com as autoridades policiais da Bolívia para dar cumprimento aos mandados de prisão expedidos pela 1ª Vara Federal de Corumbá contra os alvos que se encontram refugiados nas cidades bolivianas vizinhas.
  4. Alienação Antecipada de Bens: O Ministério Público Federal solicitará ao juízo a alienação antecipada dos cavalos mecânicos e semirreboques apreendidos, evitando a deterioração dos veículos no pátio da delegacia e garantindo que os valores arrecadados fiquem depositados em conta judicial vinculada ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad).

O portal Bastidor Público continuará apurando os desdobramentos da Operação Capolinea e o avanço dos inquéritos policiais em Mato Grosso do Sul.

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