Gecoc e Gaeco deflagram 2ª fase da Operação Auditus contra fraudes em contratos de saúde em MS
Uma força-tarefa de combate à corrupção mobilizou promotores de justiça e policiais civis na manhã de 14 de agosto de 2026 em Mato Grosso do Sul. Sob a coordenação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foi deflagrada a segunda fase da Operação Auditus, que investiga um esquema criminoso estruturado para desviar recursos públicos destinados a plantões médicos e exames clínicos em municípios da região Sudoeste e na capital.
As ordens judiciais foram expedidas pelas varas criminais competentes após meses de cruzamento de dados contábeis, quebras de sigilo bancário e interceptações telemáticas. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão em residências de servidores públicos, sedes de empresas fornecedoras e gabinetes administrativos nos municípios de Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista, Guia Lopes da Laguna e Campo Grande.
De acordo com o Ministério Público Estadual (MPMS), os contratos sob investigação somam mais de R$ 8,2 milhões firmados entre os anos de 2023 e 2026. A ofensiva visa desmantelar a rede de operadores financeiros e agentes políticos que manipulavam editais para direcionar contratações de serviços de saúde essenciais.
O Que Aconteceu
As diligências tiveram início simultâneo às 6 horas da manhã, quando equipes táticas da Polícia Civil e promotores do Gaeco chegaram aos endereços dos investigados. Em Nioaque e Jardim, foram recolhidos livros de ponto de unidades hospitalares, computadores de secretarias de saúde e dezenas de processos de pagamento que continham indícios de atestação de serviços não realizados.
Na capital Campo Grande, mandados de busca foram executados em escritórios de contabilidade e na residência de empresários sócios das pessoas jurídicas contratadas. Durante as buscas, os agentes apreenderam quantias expressivas de dinheiro em espécie guardadas em cofres, veículos de luxo, aparelhos celulares e mídias digitais contendo registros de mensagens sobre divisão de propinas.
Cinco investigados que exerciam funções de chefia e intermediação tiveram suas prisões preventivas formalizadas e foram conduzidos ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL) para realização de exame de corpo de delito, sendo posteriormente transferidos para celas do sistema penitenciário estadual.
A Justiça de MS determinou também o bloqueio preventivo de até R$ 4,1 milhões em contas bancárias de 11 pessoas físicas e jurídicas, impedindo a dissipação de patrimônio adquirido por meio das fraudes apuradas.
Contexto e Histórico
A Operação Auditus teve sua primeira fase deflagrada no início do ano, após auditorias do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) identificarem disparidades severas entre o número de consultas faturadas e os atendimentos efetivamente registrados nos sistemas de prontuário eletrônico do Sistema Único de Saúde (SUS) no interior de MS.
A análise pericial revelou a criação de empresas de fachada em nome de terceiros, com o único propósito de participar de cotações de preços manipuladas. Em diversos casos, médicos cadastrados nas escalas de plantão sequer compareciam aos hospitais municipais, enquanto os valores eram integralmente pagos pelo erário e posteriormente repassados a intermediários do esquema.
O nome da operação, Auditus (do latim "escuta" ou "exame"), faz referência tanto à fiscalização minuciosa das contas públicas quanto à necessidade urgente de ouvir as demandas da população desassistida que sofria com a escassez de médicos especialistas nas unidades de pronto atendimento.
As ações do Gecoc representam uma diretriz estratégica permanente de combate ao desvio de verbas sociais e fortalecimento dos mecanismos de transparência em todos os 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
Impacto Para a População
O desvio de recursos públicos na área da saúde atinge diretamente os cidadãos mais vulneráveis, provocando cancelamento de cirurgias eletivas, filas intermináveis para consultas básicas e falta de medicamentos essenciais nas farmácias populares municipais. A interrupção deste esquema criminoso permite estancar a sangria de recursos públicos e reordenar as finanças locais.
Com o afastamento dos agentes envolvidos e o cancelamento dos contratos fraudados, as prefeituras abrangidas pela operação poderão reabrir licitações transparentes e contratar profissionais capacitados por valores justos de mercado, restabelecendo a confiança da comunidade no serviço público de saúde.
A tabela a seguir apresenta os dados consolidados da 2ª Fase da Operação Auditus em Mato Grosso do Sul:
| Indicador da Operação | Planejado na Investigação | Executado no Cumprimento | Impacto no Sistema de Saúde |
|---|---|---|---|
| Mandados de Busca | 12 endereços monitorados | 12 cumpridos (100%) | Apreensão de provas documentais |
| Prisões Preventivas | 5 alvos estratégicos | 5 prisões efetivadas | Desarticulação do comando da fraude |
| Municípios Alcançados | 6 cidades sul-mato-grossenses | 6 comarcas fiscalizadas | Extensão regional da fiscalização |
| Ativos Bloqueados | R$ 4,1 milhões deferidos | Contas e bens indisponibilizados | Garantia de ressarcimento ao erário |
| Contratos Auditados | R$ 8,2 milhões | Em fase de rescisão unilateral | Prevenção de novos desvios |
A população dos municípios atendidos pode acompanhar a execução dos novos editais por meio dos portais de transparência de cada prefeitura e das publicações no Diário Oficial dos Municípios de MS.
O Que Dizem os Envolvidos
Durante entrevista coletiva concedida na sede da Procuradoria-Geral de Justiça no Parque dos Poderes em Campo Grande, os promotores coordenadores do Gecoc destacaram a gravidade dos fatos apurados:
"Não podemos admitir que recursos destinados a salvar vidas e garantir o atendimento médico no interior sejam tratados como fonte de enriquecimento ilícito. O Gecoc e o Gaeco atuarão com firmeza para punir todos os envolvidos e recuperar cada centavo desviado", declarou o coordenador do Gecoc.
A defesa dos servidores públicos e empresários investigados informou, por meio de notas oficiais, que seus clientes prestaram todos os esclarecimentos cabíveis perante as autoridades e que demonstrarão a regularidade dos serviços prestados durante a instrução processual.
As prefeituras municipais de Nioaque, Bonito e Jardim emitiram comunicados reiterando total colaboração com os órgãos de controle e informando a abertura de auditorias administrativas internas para revisão de todos os contratos de saúde vigentes.
Próximos Passos
Os computadores, memórias digitais e processos físicos recolhidos pelas equipes policiais serão submetidos a triagem e extração forense pelo Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) do MPMS.
O Ministério Público deverá oferecer denúncias criminais individualizadas perante o Poder Judiciário nas próximas semanas, imputando aos réus as práticas de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, com penas que podem ultrapassar 25 anos de reclusão.
Paralelamente, promotorias de justiça de tutela do patrimônio público instaurarão ações civis públicas de improbidade administrativa para buscar a reparação integral dos danos causados aos cofres municipais e a aplicação de multas civis aos responsáveis.
O Gaeco manterá monitoramento permanente sobre os prestadores de serviços de saúde em todo o estado para prevenir a migração das empresas fraudulentas para outras regiões de Mato Grosso do Sul.
Fechamento
A deflagração da 2ª Fase da Operação Auditus pelo Gecoc e Gaeco reafirma a intransigência das instituições sul-mato-grossenses na defesa do patrimônio público e da dignidade dos cidadãos atendidos pelo SUS. A responsabilização dos envolvidos e o resgate de milhões de reais em ativos representam passos indispensáveis para a consolidação de uma gestão pública ética, eficiente e voltada verdadeiramente ao bem-estar coletivo em Mato Grosso do Sul.
Referências e Fontes Oficiais
- Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) — Assessoria de Comunicação do Gecoc e Gaeco
- Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) — Diretoria de Controle Externo
- Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul (TJMS) — Varas Criminais
- Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES-MS)
- Portal G1 Mato Grosso do Sul — Notícias de Segurança Pública e Combate à Corrupção




