Governo de Pernambuco e Fundarpe Diplomam Dez Novos Mestres e Grupos como Patrimônios Vivos da Cultura

O Que Aconteceu
O Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), realizou na noite desta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, no histórico Teatro de Santa Isabel, na área central do Recife, a solenidade oficial de proclamação e diplomação dos dez novos mestres, mestras e coletivos culturais reconhecidos como Patrimônios Vivos do Estado de Pernambuco.
A seleção pública referente ao edital do Concurso do Registro do Patrimônio Vivo de 2026 contou com o recorde de 205 candidaturas homologadas, oriundas de todas as regiões geográficas do estado — do Litoral e Zona da Mata ao Agreste e Sertão do São Francisco e Pajeú.
Com a homologação dos dez novos homenageados pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPC-PE), Pernambuco atinge a emblemática marca histórica de 125 mestres e entidades tradicionais diplomadas e amparadas por lei desde a criação do programa estadual em 2002.
A lista dos novos Patrimônios Vivos condecorados contempla uma rica diversidade de linguagens artísticas populares e saberes ancestrais:
- Mestre Anderson Miguel (Ciranda / Nazaré da Mata): expoente da renovação da ciranda e da poesia cantada da Zona da Mata Norte.
- Dona Duda do Coco (Coco de Roda / Olinda): guardiã octogenária dos passos e cantigas do tradicional coco praieiro.
- Mestre Zé de Teté (Teatro de Bonecos Mamulengo / Glória do Goitá): mestre entalhador e manipulador de bonecos da capital nacional do mamulengo.
- Mestra Joana Cavalcante (Maracatu de Baque Virado / Recife): primeira mulher a comandar o lendário Maracatu Encanto do Pina na comunidade do Bode.
- Mestre Nado (Música em Cerâmica e Barro / Olinda): criador inovador de instrumentos musicais de sopro e percussão moldados em argila e barro cozido.
- Grupo Tradicional Cafurna da Tribo Fulni-ô (Música Indígena / Águas Belas): guardiões dos cânticos sagrados no idioma Yaathe e rituais ancestrais do Sertão.
- Associação das Rendeiras de Renda Renascença de Poção (Artesanato Tradicional / Agreste): coletivo de mestras artesãs que preservam a técnica secular do bordado de agulha renascença.
- Mestre Biu dos Teclados e Pífano (Forró Tradicional e Banda de Pífanos / Caruaru): instrumentista e compositor de forró de raiz e toques tradicionais de pífano.
- Mestra Ana Lúcia da Silva (Bordado de Labirinto e Filé / Goiana): mestra bordadeira com mais de seis décadas de dedicação ao ensino do ponto filé no Litoral Norte.
- Maracatu Rural Cambinda Brasileira (Maracatu de Baque Solto / Nazaré da Mata): o mais antigo maracatu rural em atividade ininterrupta do Brasil, fundado em 1918.
Contexto e Histórico
Pernambuco é mundialmente celebrado como o berço de uma das culturas populares mais vibrantes, autênticas e multifacetadas do planeta, onde tradições indígenas, africanas e ibéricas se entrelaçaram organicamente para criar manifestações únicas como o frevo, o maracatu de baque solto e baque virado, a ciranda, o cavalo-marinho, o caboclinho, o forró pé-de-serra e o repente nordestino.
Inspirado nas diretrizes da Unesco para a salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, o Estado de Pernambuco foi pioneiro absoluto no Brasil ao aprovar a Lei nº 12.196, de 2 de maio de 2002, que instituiu o Registro do Patrimônio Vivo (RPV-PE).
A legislação garante o pagamento de uma pensão vitalícia mensal reajustada anualmente: R$ 2.479,41 para mestres individuais (pessoas físicas) e R$ 4.958,85 para grupos e associações comunitárias (pessoas jurídicas).
Em contrapartida à garantia previdenciária e financeira oferecida pelo Tesouro Estadual, os Patrimônios Vivos assumem o compromisso legal e pedagógico de realizar oficinas, demonstrações públicas e palestras gratuitas em escolas municipais e estaduais, transferindo oralmente suas técnicas, cantos, danças e rituais para as novas gerações de crianças e jovens pernambucanos.
Impacto Para a População
O reconhecimento e o fomento público aos mestres da cultura popular geram impactos sociais, educacionais e identitários de valor incalculável para toda a população de Pernambuco.
| Elementos do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco (RPV-PE) | Dados Oficiais da Secult-PE e Fundarpe |
|---|---|
| Novos Patrimônios Vivos titulados em 2026 | 10 mestres e grupos tradicionais |
| Total de guardiões culturais amparados no estado | 125 mestres e entidades tradicionais |
| Concorrentes inscritos no concurso de 2026 | 205 candidaturas de todo o estado |
| Valor da bolsa vitalícia para pessoas físicas | R$ 2.479,41 mensais por mestre |
| Valor da bolsa vitalícia para grupos e coletivos | R$ 4.958,85 mensais por entidade |
| Contrapartida pedagógica obrigatória | Oficinas regulares na rede pública de ensino |
Para os dez mestres e mestras condecorados, a titulação representa o coroamento de vidas inteiras de dedicação abnegada à arte popular, assegurando tranquilidade financeira na velhice e recursos para manter vivos seus ateliês, grupos de dança e sedes comunitárias.
Para os estudantes da rede pública de ensino de Pernambuco, a presença dos mestres nas salas de aula e pátios escolares transforma o aprendizado em uma experiência viva e direta de valorização da história, do respeito à ancestralidade e do orgulho das raízes culturais nordestinas.
O Que Dizem os Envolvidos
"Pernambuco é gigante porque seus mestres e mestras mantêm acesa a chama sagrada da nossa identidade cultural. Titular dez novos Patrimônios Vivos é um ato de justiça histórica, gratidão e garantia de que o frevo, o maracatu, a ciranda e os saberes ancestrais continuarão vivos na alma de cada criança pernambucana." — Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco.
"A Fundarpe cumpre com rigor a missão de salvaguardar nosso patrimônio imaterial. Os mestres são bibliotecas vivas de conhecimento que agora contam com o apoio financeiro permanente do Estado para formar novos discípulos." — Presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
"Dediquei toda a minha vida ao maracatu e à minha comunidade do Bode no Pina. Ser reconhecida como Patrimônio Vivo do meu estado é uma honra indescritível que dedico a todas as mulheres negras e mestras de maracatu de Pernambuco." — Mestra Joana Cavalcante, líder do Maracatu Encanto do Pina.
Integrantes do Conselho Estadual de Preservação Cultural ressaltaram a excelência e a qualidade artística das 205 candidaturas submetidas ao concurso deste ano.
Próximos Passos
A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) iniciará o pagamento regular das bolsas vitalícias na folha de setembro de 2026.
A Gerência de Patrimônio Imaterial da Secult-PE estruturará o calendário de circulação pedagógica dos novos Patrimônios Vivos, que ministrarão cursos práticos e oficinas em escolas estaduais da capital, do Agreste e do Sertão a partir de outubro.
Em novembro de 2026, o Governo do Estado lançará uma publicação literária e documental bilíngue com biografias e registros fotográficos detalhados dos 125 Patrimônios Vivos de Pernambuco.
Fechamento
A solene diplomação de dez novos mestres e grupos como Patrimônios Vivos da Cultura de Pernambuco reafirma o protagonismo do estado como uma das potências culturais mais ricas, originais e resistentes do Brasil. Em tempos de globalização acelerada e homogeneização estética, preservar as vozes ancestrais, os passos da ciranda, o toque dos pífanos, as mãos que bordam a renda renascença e a poesia dos mamulengos é defender a soberania da memória popular.
Ao garantir a dignidade financeira e o respeito institucional a quem dedicou a vida a encantar e educar gerações, Pernambuco dá uma lição magistral de amor à sua gente e ao seu patrimônio imaterial. Que os 125 guardiões do saber continuem espalhando sabedoria, ritmo, beleza e cidadania pelos quatro cantos do solo sagrado pernambucano.




