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Marquinhos Trad troca PDT pelo PV e suplente ameaça ir à Justiça pelo mandato

Vereador mais votado de Campo Grande em 2024 alega carta de anuência válida. Primeiro suplente contesta documento e diz que mandato pertence ao partido.

Redação Bastidor Público8 de abril de 20269 min de leituraCampo Grande1496 palavras
Marquinhos Trad troca PDT pelo PV e suplente ameaça ir à Justiça pelo mandato

O Que Aconteceu

A saída do vereador Marquinhos Trad do PDT e sua filiação ao PV (Partido Verde), fora da janela partidária para mandatos municipais, desencadeou uma disputa que caminha para os tribunais. O impasse envolve a validade de uma carta de anuência e coloca em risco o mandato do parlamentar mais votado de Campo Grande em 2024, com 8.567 votos.

Marquinhos sustenta que obteve autorização formal do partido para a troca. Do outro lado, o primeiro suplente Salah Hassan (2.411 votos) contesta o documento e reivindica a vaga na Câmara Municipal. O PDT estuda medidas jurídicas, e a tendência, segundo envolvidos, é que a Justiça Eleitoral seja acionada nas próximas semanas.

A desfiliação ocorreu sem alarde. Marquinhos formalizou a saída do PDT e, no mesmo ato, registrou filiação ao PV. O movimento pegou de surpresa parte da direção pedetista em Mato Grosso do Sul, que soube da troca após a consumação do fato.

O caso expõe uma fratura recorrente na política partidária brasileira: a tensão entre o mandatário que se considera dono do voto e o partido que, pela legislação, é titular do mandato.

Contexto e Histórico

A legislação eleitoral brasileira estabelece que o mandato pertence ao partido, não ao candidato. A regra, consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), visa coibir o troca-troca de legendas que marcou a política nacional por décadas. A exceção é a chamada "justa causa", que inclui mudança de programa partidário, fusão ou incorporação de partidos, criação de novo partido e — o ponto central deste caso — a anuência formal da legenda de origem.

A janela partidária para mandatos municipais tem prazo definido em lei. Fora desse período, a troca de partido sem justa causa pode resultar na perda do mandato, com a vaga sendo preenchida pelo suplente da coligação ou do partido.

Marquinhos Trad tentou obter a autorização do presidente estadual do PDT, Carlos Eduardo Gomes, antes da desfiliação. Segundo o vereador, o dirigente não estava em Mato Grosso do Sul nos dias que antecederam o prazo.

"Fomos até a sede do diretório, estava fechada. Tocamos a campainha, ligamos para a secretária e fomos informados de que ele estava fora. Tentamos contato e não conseguimos", relatou Marquinhos ao Campo Grande News.

Diante da ausência, o vereador recorreu ao vice-presidente do partido, Enelvo Iradi Felini, que assinou a carta de anuência. Marquinhos afirma que o documento tem validade jurídica e que o vice-presidente tinha competência para assinar na ausência do titular.

"A decisão foi pela carta de anuência total. Eles deram. O partido já se posicionou e deu a carta. Não tem por que discutir isso agora", declarou o vereador.

O PDT em Mato Grosso do Sul tem histórico de conflitos internos sobre fidelidade partidária. Em 2022, dois vereadores do interior deixaram a legenda durante a janela partidária, gerando disputas por suplência que se arrastaram por meses na Justiça. O caso de Marquinhos, porém, é diferente: a troca ocorreu fora da janela, o que eleva o risco jurídico.

O PV, partido de destino, é federado ao PT desde 2022. A federação PT-PV-PCdoB funciona como bloco único para fins eleitorais, o que significa que Marquinhos passa a integrar, na prática, a estrutura petista em Campo Grande. A mudança tem implicações para 2026: o vereador ganha acesso à chapa proporcional da federação, que tende a ser mais competitiva do que a do PDT isolado.

Impacto Para a População

A disputa pelo mandato de Marquinhos Trad afeta diretamente a representação dos 8.567 eleitores que votaram nele em 2024. Se a Justiça determinar a perda do mandato, a vaga será ocupada por Salah Hassan, que teve 2.411 votos — menos de um terço da votação do titular.

Para o eleitor, a questão prática é: quem vai representá-lo na Câmara? O vereador em quem votou, agora em outro partido, ou o suplente que teve votação menor, mas pertence à legenda original?

Aspecto Marquinhos Trad (PV) Salah Hassan (PDT)
Votos em 2024 8.567 2.411
Partido atual PV (federado ao PT) PDT
Argumento principal Carta de anuência válida Estatuto não permite anuência
Base eleitoral Ampla, sobrenome Trad Concentrada em bairros específicos
Posição na Câmara Titular em exercício Primeiro suplente
Próximo passo Defesa na Justiça Ação judicial pela vaga

A Câmara de Campo Grande tem 29 vereadores. A saída de Marquinhos do PDT reduz a bancada pedetista e fortalece a federação PT-PV-PCdoB, que ganha mais um voto no plenário. Essa reconfiguração pode alterar o equilíbrio de forças em votações sobre o orçamento municipal, projetos de lei e fiscalização da prefeitura.

Para os moradores de Campo Grande, o impacto se traduz em mudança de prioridades legislativas. Marquinhos, como vereador mais votado, tem peso político para pautar projetos e negociar emendas. Se perder o mandato, esse capital político se dissipa — e o suplente, com base eleitoral menor, terá menos poder de barganha.

A disputa também gera insegurança jurídica sobre a composição da Câmara. Enquanto o caso não for julgado, Marquinhos permanece no cargo, mas qualquer votação apertada pode ser contestada posteriormente se a Justiça entender que ele não deveria estar exercendo o mandato.

O precedente que o caso abrir terá repercussão em todo o estado. Se a carta de anuência assinada pelo vice-presidente for considerada válida, outros vereadores poderão usar o mesmo expediente para trocar de partido fora da janela. Se for invalidada, a mensagem será de que o estatuto partidário prevalece sobre arranjos informais.

O Que Dizem os Envolvidos

Salah Hassan contesta todos os pontos apresentados por Marquinhos. Segundo o suplente, o estatuto do PDT não autoriza anuência para troca de partido — independentemente de quem assine o documento.

"O estatuto não permite anuência. Então, se não permite, não pode, nem o presidente nem o vice poderiam dar", afirmou Hassan ao Campo Grande News.

O suplente também alega que o tema já havia sido discutido internamente e que a resposta ao vereador havia sido negativa antes da desfiliação.

"O partido já tinha dito que não iria conceder anuência. Esse assunto estava encerrado", declarou.

Hassan solicitou a expulsão do vice-presidente Enelvo Felini do PDT, alegando descumprimento do estatuto. "Ele cometeu uma desobediência. Prejudicou todos os suplentes", disse. A direção estadual avalia o pedido junto à executiva nacional e à assessoria jurídica do partido.

O suplente afirmou que pretende acionar a Justiça independentemente da iniciativa da direção partidária.

"Eu preciso entrar, até por respeito aos meus eleitores. Não posso ficar passivo", declarou Hassan.

O presidente estadual do PDT, Carlos Eduardo Gomes, não respondeu aos contatos da reportagem até o fechamento desta publicação. A ausência de manifestação do dirigente alimenta a especulação sobre sua posição no caso: se endossa a carta assinada pelo vice ou se a considera irregular.

Enelvo Iradi Felini, o vice-presidente que assinou o documento, também não se manifestou publicamente. Nos bastidores, interlocutores do PDT afirmam que Felini agiu de boa-fé, mas reconhecem que a competência para assinar a anuência é juridicamente questionável.

Próximos Passos

A tendência, segundo advogados eleitoralistas ouvidos pela reportagem, é que a disputa seja levada ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). A ação deve ser protocolada por Salah Hassan ou pelo próprio PDT nas próximas semanas.

O TRE-MS terá de analisar dois pontos centrais: se o estatuto do PDT permite a concessão de carta de anuência e se o vice-presidente tinha competência para assinar o documento na ausência do presidente. A jurisprudência do TSE sobre o tema é variada — há decisões que validaram anuências assinadas por vice-presidentes e outras que as invalidaram, dependendo do que prevê o estatuto de cada partido.

O julgamento pode levar meses. Enquanto isso, Marquinhos permanece no exercício do mandato. Se a decisão for pela perda do cargo, o vereador pode recorrer ao TSE, prolongando a disputa até 2027.

O PDT deve realizar reunião da executiva estadual para definir posição oficial sobre o caso. A expectativa é que o partido se manifeste até o final de abril, formalizando — ou não — a contestação da carta de anuência.

Para Marquinhos, a estratégia é manter o mandato e consolidar a posição no PV antes que a Justiça se pronuncie. Para Hassan, o objetivo é obter liminar que suspenda os efeitos da desfiliação e garanta a posse como vereador titular.

Fechamento

O caso Marquinhos Trad versus Salah Hassan é mais do que uma disputa por uma cadeira na Câmara de Campo Grande. É um teste sobre os limites da fidelidade partidária no Brasil — e sobre até onde um mandatário pode ir para trocar de legenda sem perder o cargo.

A carta de anuência assinada pelo vice-presidente do PDT é o nó jurídico. Se a Justiça a validar, abre precedente para que outros vereadores usem o mesmo caminho. Se a invalidar, reforça que o estatuto partidário é barreira intransponível. De um jeito ou de outro, o resultado vai ecoar nas câmaras municipais de todo o estado — e, possivelmente, do país. Enquanto o Judiciário não decide, Campo Grande assiste a mais um capítulo da política de sobrenomes, onde o peso do nome Trad se mede não apenas nas urnas, mas nos tribunais.


Fontes e Referências

  • Campo Grande News (campograndenews.com.br)
Marquinhos TradPDTPVCâmara Campo GrandemandatosuplenteSalah Hassan
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Publicado em 8 de abril de 2026 às 00:00
Fonte: Campo Grande News (campograndenews.com.br)
RB
Redação Bastidor Público

Equipe Editorial

Equipe de jornalistas do Bastidor Público MS dedicada à cobertura política e institucional de Mato Grosso do Sul.

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