A repressão ao crime organizado no Centro-Oeste e no Sul do Brasil ganhou um capítulo decisivo na manhã desta quarta-feira, 1º de julho de 2026. Uma força-tarefa de segurança nacional deflagrou a chamada Operação Coluna Sul. A megaoperação foi planejada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina. O trabalho recebeu suporte de corporações policiais em Mato Grosso do Sul e outros quatro estados.
O foco principal é o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os investigadores buscam desestruturar as rotas de financiamento e distribuição de drogas administradas pela facção paulista. A área de abrangência inclui toda a faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com países vizinhos. Ao todo, a Justiça expediu 320 mandados de prisão e de busca e apreensão. A ação impacta de forma direta o sistema carcerário de Mato Grosso do Sul, apontado como base logística para emissão de ordens por lideranças faccionadas.
A mobilização policial ocorre em um cenário de forte pressão sobre as estruturas estaduais de segurança. O uso de técnicas avançadas de inteligência financeira e de cruzamento de mensagens interceptadas permitiu o mapeamento dos fluxos logísticos da quadrilha. Os mandados foram cumpridos de forma simultânea nos estados de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
O Que Aconteceu
A Operação Coluna Sul foi deflagrada nas primeiras horas do dia pelas equipes táticas integradas. Policiais civis, militares e penais cercaram endereços de suspeitos e vasculharam celas em presídios. A ação é considerada uma das maiores mobilizações contra facções criminosas realizadas no país em 2026. A Justiça concedeu 151 mandados de prisão temporária e 169 mandados de busca e apreensão.
O nome da operação decorre da terminologia utilizada pela própria facção criminosa em seus registros internos. O GAECO descobriu que os líderes do PCC denominavam a rota que liga o Centro-Oeste ao extremo Sul do país de "Coluna Sul". Mato Grosso do Sul funciona como a principal porta de entrada dessa rota. A maconha do Paraguai e a cocaína da Bolívia entram por MS e seguem pelas rodovias estaduais até os portos e grandes cidades litorâneas catarinenses.
Em Mato Grosso do Sul, agentes táticos focaram em residências e no sistema prisional. Diversos aparelhos de telefone celular e documentos com anotações de contabilidade criminosa foram apreendidos em presídios estaduais. As investigações indicam que a comunicação interna continuava ativa mesmo sob as restrições prisionais habituais.
Contexto e Histórico
A expansão do Primeiro Comando da Capital na região Centro-Oeste é um processo histórico que remonta à década de 1990. A facção percebeu a importância de Mato Grosso do Sul como corredor geopolítico do tráfico de drogas e armas. A proximidade com o Paraguai (Ponta Porã e Coronel Sapucaia) e com a Bolívia (Corumbá) transformou o estado em um território em disputa constante entre organizações criminosas de atuação nacional.
Nos últimos anos, o GAECO e as secretarias de segurança pública de diversos estados observaram a profissionalização dos métodos da facção. As investigações mostram que o grupo criminoso passou a utilizar empresas de fachada no setor de transportes para lavar o dinheiro ilícito. Os caminhões dessas empresas eram usados para mover toneladas de drogas disfarçadas em cargas de grãos legítimas pelas rodovias federais.
Santa Catarina tornou-se um dos principais pontos de destino dessas cargas ilícitas. A região portuária catarinense (como o Porto de Itajaí) é utilizada pelas facções para escoar drogas de alto valor de pureza para a Europa. A Operação Coluna Sul representa o fechamento desse ciclo investigativo de longo prazo iniciado há cerca de 18 meses pelo Ministério Público.
Impacto Para a População
O impacto dessa operação para o cidadão comum de Mato Grosso do Sul é visto na redução da circulação de capitais ilícitos que alimentam a violência nos bairros urbanos. Ao atingir o topo da pirâmide financeira da facção, as forças de segurança desestabilizam a capacidade do crime organizado de financiar assaltos de grande porte e corromper servidores públicos.
A desarticulação das rotas rodoviárias também aumenta a segurança nas estradas federais e estaduais que cortam Mato Grosso do Sul. A presença e atuação ostensiva da polícia geram um ambiente hostil para o escoamento de drogas. Isso protege os motoristas civis e caminhoneiros que utilizam diariamente as rodovias do estado.
| Estado Envolvido | Mandados de Prisão Temporária | Mandados de Busca e Apreensão | Alvos no Sistema Prisional |
|---|---|---|---|
| Santa Catarina | 68 mandados | 75 mandados | Sim |
| Mato Grosso do Sul | 22 mandados | 28 mandados | Sim (Presídios estaduais) |
| Paraná | 35 mandados | 38 mandados | Sim |
| São Paulo | 18 mandados | 20 mandados | Sim |
| Rio Grande do Sul | 6 mandados | 6 mandados | Não |
| Minas Gerais | 2 mandados | 2 mandados | Não |
O Que Dizem os Envolvidos
Em pronunciamento conjunto, promotores do GAECO de Santa Catarina destacaram a importância da união de esforços das forças estaduais. De acordo com as autoridades, a integração é o único caminho para sufocar financeiramente o PCC. O combate isolado nos estados não se mostrava mais eficiente para conter a expansão nacional do crime organizado.
"A Operação Coluna Sul atinge em cheio a comunicação e a circulação de dinheiro ilícito entre o Centro-Oeste e o Sul. Mato Grosso do Sul é a peça chave desse quebra-cabeça logístico. Sem a fronteira e o suporte carcerário deles, a facção perde capacidade de abastecer o mercado internacional", declarou um coordenador do GAECO de SC.
A defesa das lideranças detidas e os representantes dos presos no sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul não se manifestaram publicamente até a tarde desta quarta-feira. A assessoria da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) informou que o estado continuará atuando com rigor nas inspeções prisionais de rotina.
Próximos Passos
Os materiais e aparelhos telefônicos apreendidos na operação serão periciados pelo setor de tecnologia forense do GAECO e da Polícia Científica. Os dados obtidos nas conversas de aplicativos de mensagens devem abrir novas frentes de investigação sobre lavagem de dinheiro no setor de agronegócio de Mato Grosso do Sul.
Os suspeitos detidos sob regime de prisão temporária serão ouvidos em depoimentos oficiais. Eles permanecerão à disposição do Poder Judiciário em unidades penitenciárias de segurança dos respectivos estados onde ocorreram as prisões, aguardando a conclusão do inquérito policial e a denúncia formal do Ministério Público.
Fechamento
A Operação Coluna Sul mostra a maturidade das instituições de segurança pública na repressão coordenada ao crime organizado interestadual. O combate às facções criminosas exige inteligência, cooperação e ações assertivas de asfixia financeira. Trata-se de superar o modelo antigo de apenas prender pequenos transportadores nas estradas.
Garantir que Mato Grosso do Sul não funcione como um corredor livre para o tráfico é um dever de soberania e segurança pública. A ação contínua das forças estaduais e federais é essencial para devolver a tranquilidade aos moradores da fronteira e garantir que a riqueza do nosso estado permaneça atrelada a atividades produtivas lícitas e saudáveis.
Fontes e Referências
- Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) — Coordenação Geral do GAECO
- Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS)
- Boletim Informativo da Polícia Civil de MS — Diligências da Operação Coluna Sul
- Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO-MS)
- Dados de Inteligência e Monitoramento Carcerário da Polícia Penal de MS
- Lei Federal nº 12.850 — Legislação de Combate a Organizações Criminosas
