O GAECO deflagrou a Operação Buraco Sem Fim, cumprindo 22 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e municípios do interior de MS. A investigação apura fraudes em 12 contratos de pavimentação da Agesul (Agência Estadual de Gestão e Empreendimentos), com prejuízo estimado em R$ 18 milhões aos cofres públicos. O principal investigado é o ex-diretor Rudi Fiorese, que ocupou cargos de gestão na agência durante governos anteriores.
O nome da operação faz referência irônica ao ciclo vicioso que a investigação pretende desvendar: estradas pavimentadas com materiais de baixa qualidade que se deterioram em poucos meses, gerando novos contratos de repavimentação que beneficiam as mesmas empreiteiras.
O Que Aconteceu
A operação mobilizou 80 agentes do GAECO e da Polícia Militar em ações simultâneas em Campo Grande, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante e Naviraí. Os mandados foram cumpridos em residências de investigados, sedes de empreiteiras e no escritório de um advogado que teria participado da elaboração de contratos fraudulentos.
| Dado | Número |
|---|---|
| Mandados de busca | 22 |
| Contratos investigados | 12 |
| Prejuízo estimado | R$ 18 milhões |
| Cidades atingidas | 5 |
| Agentes mobilizados | 80 |
| Período investigado | 2015-2022 |
O modus operandi identificado pela investigação envolveria três etapas: direcionamento de licitações com especificações técnicas que favoreciam empreiteiras predeterminadas; uso de materiais de qualidade inferior ao especificado nos contratos; e fiscalização complacente que atestava a conclusão de obras sem verificar a qualidade real da pavimentação.
Contexto e Histórico
A Agesul é o braço operacional do governo do estado para obras de infraestrutura rodoviária. Com orçamento anual de centenas de milhões de reais, a agência é responsável pela manutenção e construção de rodovias estaduais que conectam os 79 municípios de MS.
Denúncias sobre a qualidade de obras rodoviárias no estado não são novas. Moradores de municípios como Maracaju, Naviraí e Rio Brilhante reclamam há anos de estradas estaduais que, mesmo recém-pavimentadas, apresentam buracos e rachaduras em poucos meses de uso. A Operação Buraco Sem Fim é a primeira vez que essas denúncias resultam em investigação formal do GAECO com mandados judiciais.
O ex-diretor Rudi Fiorese é figura controversa na política de MS. Ocupou cargos na Agesul durante diferentes governos e é conhecido por sua rede de contatos no setor de construção civil. A investigação apura se Fiorese teria recebido propinas em forma de depósitos em contas de familiares e empresas de fachada.
O governo Riedel se distanciou das investigações, afirmando que os contratos sob apuração são de gestões anteriores. A Agesul atual publicou nota declarando que "colabora integralmente com as investigações e reforçou os controles internos de fiscalização de obras desde 2023."
Impacto Para a População
| Aspecto | Consequência |
|---|---|
| Estradas | Obras de baixa qualidade comprometem segurança viária |
| Dinheiro público | R$ 18 mi desviados que poderiam melhorar infraestrutura |
| Acidentes | Buracos e pavimentação precária causam acidentes e mortes |
| Transporte | Frete mais caro devido a condições ruins das estradas |
| Confiança | Corrupção em obras públicas mina credibilidade do estado |
O Que Dizem os Envolvidos
O coordenador do GAECO declarou que "a Operação Buraco Sem Fim é resultado de 18 meses de investigação com cruzamento de dados financeiros, laudos técnicos independentes e depoimentos de servidores. Os indícios de fraude são robustos."
Rudi Fiorese, por meio de seu advogado, negou todas as acusações: "Meu cliente exerceu suas funções dentro da legalidade. Os contratos passaram por licitações regulares e foram fiscalizados pelos órgãos competentes. Confiamos que a Justiça reconhecerá a improcedência das acusações."
Próximos Passos
| Prazo | Ação |
|---|---|
| Maio 2026 | Análise do material apreendido |
| Junho-Julho | Oitiva de investigados e testemunhas |
| 2º semestre | Denúncia formal ao Judiciário |
| 2027 | Instrução processual |
O caso ganhou dimensão técnica quando o GAECO contratou peritos independentes da UFMS para analisar amostras de asfalto coletadas em trechos de rodovias estaduais pavimentadas pelas empreiteiras investigadas. Os laudos preliminares indicaram que, em pelo menos 7 dos 12 contratos, o material utilizado apresentava teor de ligante asfáltico abaixo do especificado nas normas do DNIT, o que comprometeu a durabilidade da pavimentação.
A prática de usar menos ligante asfáltico (o componente mais caro do asfalto) é uma das formas mais comuns de fraude em obras rodoviárias. Cada ponto percentual a menos no teor de ligante pode representar economia de R$ 50 mil a R$ 100 mil por quilômetro para a empreiteira, mas reduz a vida útil da estrada de 10 anos para 3-4 anos.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) informou que abrirá processo paralelo de tomada de contas especial para apurar a responsabilidade dos gestores que atestaram a qualidade das obras sem verificação técnica adequada. Se confirmadas as irregularidades, os envolvidos podem ser condenados a devolver os valores aos cofres públicos.
Fechamento
A Operação Buraco Sem Fim revela que a corrupção em obras públicas não é apenas um problema financeiro, mas uma ameaça direta à segurança e à qualidade de vida da população. Cada estrada mal pavimentada significa mais acidentes, mais gastos com manutenção de veículos e mais recursos públicos desperdiçados em retrabalho. Se as investigações confirmarem as fraudes, a responsabilização dos envolvidos pode servir como precedente para elevar os padrões de qualidade e transparência nas obras rodoviárias de MS.
Fontes e Referências
- MPMS/GAECO — Nota oficial Operação Buraco Sem Fim
- Campo Grande News — Cobertura operação
- Correio do Estado — Detalhamento mandados
- Midiamax — Análise contratos Agesul
