Candidatos ao Governo de MG Realizam 1º Debate com Embate sobre Dívida de R$ 160 Bilhões e Privatizações

O Que Aconteceu
Os candidatos ao Governo do Estado de Minas Gerais nas Eleições Gerais de 2026 participaram, na noite do último domingo, 16 de agosto de 2026, nos estúdios da Band Minas em Belo Horizonte, do primeiro debate televisivo oficial da campanha eleitoral para a sucessão no Palácio Tiradentes. Transmitido ao vivo em rede estadual de televisão e plataformas digitais, o encontro colocou frente a frente os principais postulantes ao cargo de governador em uma série de confrontos diretos marcados por duras trocas de acusações e divergências conceituais sobre a renegociação da dívida pública estadual de R$ 165 bilhões com a União, a privatização de estatais estratégicas, o combate ao feminicídio e a exploração mineral de terras raras.
O debate reuniu no mesmo cenário o atual vice-governador e candidato da base de Romeu Zema, Mateus Simões (Novo), o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (Republicanos), o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o presidente da Câmara Municipal de BH Gabriel Azevedo (MDB), o empresário e líder industrial Flávio Roscoe (PSD) e outros representantes de chapas registradas perante o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).
Ao longo de cinco blocos temáticos e rodadas de perguntas e respostas com réplicas e tréplicas sem mediação, o eixo econômico central girou em torno do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas (Propag) — proposta articulada pelo Senado Federal para substituir o Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Alexandre Kalil atacou veementemente a condução econômica do atual governo, afirmando que a dívida mineira saltou de R$ 114 bilhões para R$ 165 bilhões nos últimos seis anos. Em resposta, Mateus Simões sustentou que o endividamento decorre de gestões passadas e defendeu a adesão ao Propag com a cessão de empresas estatais como solução definitiva para reequilibrar as contas mineiras.
Outro ponto de forte atrito ocorreu em torno do patrimônio público: enquanto a candidatura governista reafirmou a intenção de desestatizar a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Copasa, a maioria dos demais candidatos firmou compromisso público contra a privatização das concessionárias de energia elétrica e saneamento básico.
Contexto e Histórico
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16,3 milhões de eleitores distribuídos em 853 municípios — o maior número de cidades entre todas as unidades da federação. A política mineira é historicamente considerada o "fiel da balança" das eleições presidenciais e estaduais no Brasil, sintetizando a diversidade socioeconômica nacional entre o Norte semiárido, o Vale do Jequitinhonha, o Sul cafeeiro, a Zona da Mata e o polo agroindustrial do Triângulo Mineiro.
O mandato do governador Romeu Zema chega ao fim em dezembro de 2026, abrindo uma disputa aberta pelo comando do Executivo. A gestão Zema implementou políticas de austeridade fiscal, corte de despesas e incentivo à atração de investimentos privados em polos industriais e de transição energética no Vale do Lítio, mas enfrentou forte oposição parlamentar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) quanto à proposta de privatização de empresas públicas sem a realização de plebiscito popular prévio.
O impasse histórico da dívida de R$ 165 bilhões com o Tesouro Nacional, cujas parcelas de amortização foram suspensas por liminares sucessivas do Supremo Tribunal Federal (STF), coloca o próximo chefe do Executivo diante do imperativo de negociar com o governo federal uma saída sustentável que não asfixie os investimentos em saúde, educação e segurança pública.
A diversidade de candidaturas competitivas no debate da Band sinaliza uma campanha altamente fragmentada no primeiro turno, com forte presença de lideranças que construíram suas bases na capital, no parlamento federal e no setor produtivo mineiro.
Impacto Para a População
O debate eleitoral antecipa as decisões econômicas e administrativas que impactarão diretamente o custo de vida, os impostos estaduais e a qualidade dos serviços públicos para os mais de 21 milhões de cidadãos mineiros nos próximos quatro anos.
| Tema Central do Debate | Posicionamento da Base Governista | Posicionamento da Oposição |
|---|---|---|
| Dívida Pública (R$ 165 bi) | Adesão ao Propag com entrega de estatais | Renegociação federal sem entrega de patrimônio |
| Cemig e Copasa | Privatização para abater passivos fiscais | Manutenção do controle público das tarifas |
| Segurança / Feminicídio | Ampliação de policiamento comunitário | Criação de DEAMs 24h e mais tornozeleiras |
| IPVA e Fiscalização | Manutenção da cobrança regular do imposto | Fim da apreensão de veículos por débito |
| Mineração e Meio Ambiente | Incentivo a lítio e terras raras no interior | Proteção da Serra do Curral e compensação |
A discussão sobre o IPVA e a apreensão de veículos em blitzes policiais tocou diretamente o bolso dos motoristas e trabalhadores autônomos mineiros, com candidatos defendendo leis que impeçam a perda do bem de trabalho por inadimplência tributária temporária.
No campo ambiental, o embate sobre a mineração de terras raras no Norte de Minas e a criação de parques de preservação ecológica na Serra do Curral, em Belo Horizonte, colocou em evidência o equilíbrio entre a geração de royalties minerais e a proteção dos mananciais de água da Região Metropolitana.
O Que Dizem os Envolvidos
"Nós arrumamos a casa, pagamos o funcionalismo em dia e colocamos Minas de volta nos trilhos do crescimento econômico e da atração de empresas. A dívida bilionária que herdamos não pode ser paga com demagogia, mas com responsabilidade, atraindo investimentos privados e aprovando o Propag para zerar os juros com a União." — Mateus Simões (Novo), candidato ao Governo de MG.
"A verdade é que a dívida de Minas Gerais explodiu de R$ 114 bilhões para R$ 165 bilhões em seis anos deste governo. Não podemos aceitar a venda a preço de banana da Cemig e da Copasa, que são o patrimônio construído pelo suor de gerações de mineiros, para cobrir a incompetência de gestão do Palácio Tiradentes." — Alexandre Kalil (Republicanos), candidato ao Governo de MG.
"O povo de Minas não aguenta mais ser explorado com IPVA abusivo, ter seu carro ou moto apreendidos em blitz de arrecadação e pagar contas de luz e água caríssimas. Nosso governo será do povo e para o povo, cortando privilégios de políticos para investir no que realmente importa." — Senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), durante o debate.
Analistas políticos mineiros pontuaram que o primeiro debate cumpriu papel relevante ao expor com clareza as linhas programáticas de cada coligação, servindo de balizador para as pesquisas de intenção de voto que serão divulgadas nas próximas semanas.
Próximos Passos
Os candidatos cumprirão agendas intensas de campanha no interior do estado nos próximos dias, com viagens programadas para Juiz de Fora, Uberlândia, Montes Claros, Governador Valadares e Pouso Alegre.
As assessorias jurídicas das campanhas protocolarão os planos de governo consolidados no sistema DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o final da semana.
O próximo debate entre os candidatos ao Governo de Minas Gerais está agendado para o início de setembro na TV Alterosa / SBT, seguido pelos encontros na Record Minas e na TV Globo, prometendo novos capítulos de confronto direto sobre os rumos de Minas Gerais.
Fechamento
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Minas Gerais descortinou a complexidade dos desafios estruturais que aguardam o futuro ocupante do Palácio Tiradentes. Em um momento de encruzilhada fiscal e de redefinição do modelo de desenvolvimento econômico do estado, a sociedade mineira precisa de debates profundos, propositivos e comprometidos com a verdade factual.
A escolha consciente nas urnas em 4 de outubro de 2026 será o ato soberano pelo qual o povo de Minas Gerais decidirá os rumos de suas finanças, a preservação de seu patrimônio público e o futuro de dignidade e oportunidades para todos os seus 853 municípios.




