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Vereador Papy apresenta lei de uso do solo para transformar centro de Campo Grande

Projeto de lei do vereador propõe revisão dos parâmetros urbanísticos do centro de Campo Grande, permitindo construções mistas e coibindo deterioração da área central.

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Por Redação Bastidor Público
Publicado em 23 de abril de 2026 às 00:00
Campo Grande7 min de leitura
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Vereador Papy apresenta lei de uso do solo para transformar centro de Campo Grande

Vereador Papy Propõe Revolução Urbanística no Centro de Campo Grande

O vereador Paulo Siufi Neto — o Papy — apresentou nesta quarta-feira, 23 de abril, na Câmara Municipal de Campo Grande, um projeto de lei complementar que revisão os parâmetros de uso e ocupação do solo no centro histórico da capital. A proposta pode transformar radicalmente a dinâmica urbana da área central, que passa por processo de deterioração e esvaziamento há mais de uma década.

O projeto permite a construção de empreendimentos mistos (residencial + comercial no mesmo prédio), aumenta o gabarito máximo para 15 andares em determinadas vias e cria incentivos fiscais para a requalificação de imóveis tombados ou em estado de abandono.

Centro de Campo Grande com imóveis subutilizados — proposta de lei de uso do solo visa revitalizar área

O Que Aconteceu

Papy protocolou o projeto na Câmara Municipal durante a sessão ordinária desta quarta-feira. O texto tem 48 artigos e propõe alterações à Lei Complementar nº 94/2006, que regula o uso e a ocupação do solo em Campo Grande.

As principais mudanças propostas:

  • Uso misto obrigatório para novos empreendimentos acima de 4 andares no centro
  • Gabarito elevado (até 15 andares) em eixos estratégicos como Av. Afonso Pena e Av. Mato Grosso
  • Desconto de 40% no IPTU por 10 anos para imóveis tombados que passem por reforma e adequação
  • Simplificação do licenciamento para reconversão de imóveis comerciais antigos em habitações

Contexto

O centro de Campo Grande tem atualmente mais de 1.400 imóveis subutilizados — prédios com menos de 30% de ocupação efetiva ou completamente abandonados. O fenômeno é consequência da migração do comércio para bairros como Jardim dos Estados, Bairro Rita Vieira e os eixos do Parque dos Poderes.

A legislação atual dificulta a transformação desses espaços: um edifício comercial dos anos 1970 no centro, por exemplo, precisa de adequações de acessibilidade e normas contra incêndio que frequentemente custam mais do que o valor do imóvel. Resultado: o proprietário deixa o prédio degradar ou o usa como estacionamento.

O Plano Diretor de Campo Grande, aprovado em 2020, já sinalizava a necessidade de revisão do uso do solo central, mas a regulamentação específica nunca foi concluída.

Impacto na Gestão Pública

Aspecto Dado
Área afetada pelo projeto 3,2 km² (centro histórico)
Imóveis subutilizados no centro +1.400
Redução de IPTU para imóveis tombados 40% por 10 anos
Investimentos esperados (setor privado) R$ 350 mi (estimativa)
Potencial de novos empregos +5.000

O Que Dizem as Partes

Papy defendeu o projeto como necessário para "devolver vida ao centro": "Não podemos aceitar que o coração de Campo Grande continue morrendo enquanto novos bairros crescem em volta. O centro tem infraestrutura — água, luz, transporte — e precisa ser ativado."

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC-MS) e o Secovi-MS (sindicato das construtoras) manifestaram apoio ao texto. "É exatamente o que o mercado imobiliário precisa para investir no centro", disse o presidente do Secovi-MS.

A Prefeitura de Campo Grande ainda não se pronunciou sobre o projeto. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP) foi consultada e disse que "analisará a proposta quando receber o texto oficial".

Análise do Bastidor Público

O projeto de Papy tem potencial real de impacto, mas enfrenta dois obstáculos práticos. Primeiro, a resistência de proprietários de imóveis no centro que preferem manter o status quo (sem custo com reforma, com aluguel de estacionamento) a investir em requalificação. Segundo, a questão da segurança pública — a deterioração do centro de Campo Grande está associada a aumento de ocorrências, o que inibe novos negócios independentemente da legislação urbanística.

Nos bastidores da Câmara, o projeto tem chances reais de aprovação, mas pode ser alterado na Comissão de Obras e Urbanismo. O setor imobiliário deve pressionar para ampliar o gabarito máximo para além de 15 andares em alguns eixos.

Próximos Passos

O projeto segue para análise na Comissão de Obras e Urbanismo e deve ser votado em maio de 2026. Se aprovado pela Câmara, vai à sanção da prefeita Adriane Lopes, que tem demonstrado interesse em pautas de desenvolvimento urbano.


Fontes: Campo Grande News · Câmara Municipal de Campo Grande · Secovi-MS

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Fonte: Campo Grande News
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